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Sábado, Novembro 24, 2001

argh, acabo de perder um trecho enorme sobre a mentira. :-(((
Maldito Internet Explorer! Eu prometo reescrever, mas provavelmente vou pôr em uma das minhas participações no http://mndfck.cjb.net/.

Hoje vi filmes investigativos.
Vi, em especial, "A Filha do Coronel". Achei muito empolgante ver aquele personagem, Paul Brenner, o investigador principal quase enfiando o dedo na cara de um Capitão e dizendo "Você quer me desafiar?" só porque tentaram mantê-lo em silêncio. Ele, como a Dani, botou pra fora e partiu pra cima. É raro ver uma situação onde o detetive bota pra fuder mesmo com os homens lá de riba tentando pará-lo.

Talvez esse filme seja mais real que os filmes básicos de Conspiração que colocam os Generais e Ministros como seres de uma inteligência superior de de uma percepção vasta e capazes de se concentrar 100% do tempo em maquinar e planejar, e nunca mijam, beijam suas esposas, ou pensam no próprio prazer e satisfação. Por isso que eu considero os conspiracy-freaks como uns imbecis que não enxergam a pior verdade sobre a nossa situação mundial: na verdade, não existe ninguém manipulando o mundo; é a Humanidade que é completamente imbecil e sem esperança.

Ou talvez com um mínimo de esperança, se percebemos que devem existir um ou dois Paul Brenners no mundo.

Eu deveria parar de pensar, te digo isso. Mais cedo eu estava vendo estes filmes e fazendo considerações sobre mentiras, inspirado nas menções às PsyOps que "A Filha do General" fazia; agora, por conta do IRC, estou pensando na analogia entre sistemas de computadores e corpos pluricelulares, e de como isso indica que aumentar o número de processadores é mais inteligente que produzir processadores de clock excessivo.

Domingo, Novembro 18, 2001

Veja post do dia 09/05/2001 2:49:43 AM
Isto deveria estar sempre sempre sempre aparecendo nesta página...
Essa música é quase o meu tema principal.

O post anterior está mesmo muito mal escrito.
Mas é só um rascunho, de qualquer jeito.
Falta de papel à mão dá nisso...

Sábado, Novembro 17, 2001

Estou sem material pra escrever, então vai no blog mesmo.

Eu acho que há toda uma filosofia de vida a ser retirada do Ritual do Pentagrama.
Quando digo Ritual do Pentagrama me refiro a um ritual abstrato baseado no Pentagrama; existem infinitos rituais do Pentagrama, e se formos incluir Wicca e afins, existem Aleph[1] rituais do Pentagrama, dadas as infinitas variações que esse povo gosta de inventar...
Mas de grande importância temos: o Ritual Menor e Maior do Pentagrama, o Rubi Estrela e Liber V ou Reguli ("O Livro dos Príncipes").

Tio Aleister Crowley disse certa vez que o Ritual do Pentagrama não deveria ser subestimado, e que por ele se poderia chegar ao ápice da iniciação.
Por quê, isto, se basicamente são rituais de banimento ou invocação de energias ou forças do plano astral, isto é, do plano emocional?
Basicamente, pelo mesmo motivo que o levou a dar importância às invocações a partir do estudo da goécia.

Para causar o efeito, é preciso a autoridade, o poder, para tal. De modo que para coagir o espírito a obedecer a sua vontade, o mago invoca a divindade e se faz uma extensão da Sua vontade, que é soberana sobre a Criação. Então, de onde parte o poder para controlar livremente o espaço astral (i.e. o ambiente emocional)?
Observe o texto da Cruz Cabalística:

AThH MLKVTh V-GBVRH V-GDVLH L-OLHM AMN
A ti - o Reino - e o Rigor - e a Misericórdia - por todas as Eras - Amén ("verdade")

Isso me lembra, mesmo que vagamente, a invocação preliminar da Goécia (ou Liber Samekh, afinal de contas), rituais que invocam a mais elevada divindade (que para thelemitas é nada mais que nós mesmos). O início dessa invocação é marcado por uma "oferta" -- o magista atribui "a ti", o S.A.G., o Reino, o Rigor e a Misericórdia.
Que nada mais são que as Sephiroth 10, 4, 5; sendo que 10 se equilibra com a divindade acima, um equilíbrio vertical; e o 4 e o 5 se equilibram naturalmente na horizontal, os dois pilares do templo.
Isto é de fato uma afirmação da identidade da divindade de onde parte todas essas coisas, e de fato todas as coisas; e portanto capacita o magista a comandar os elementos existentes no plano onde o ritual trabalha por meio dessa autoridade divina.

De certo modo Eliphas Levi já conhecia este fato; pois ele afirma a importância do "versículo oculto do Pater", do sinal da cruz esotérico, que nada mais é que isto que a Golden Dawn nos entregou de bandeja pra usar.

Esta parece ser uma diferença fundamental entre as fórmulas do Pentagrama e do Hexagrama: enquanto o Hexagrama tende a ritualizar a união de dois elementos opostos fundindo-se para dar lugar à unidade mística, o Pentagrama tende a afirmar a autoridade do princípio superior sobre os elementos inferiores pela Força. Portanto, podemos esperar que se haja à força sobre estes elementos, daí as duas operações básicas de Invocação e Banimento, que são nada mais que mandar-para-longe ou trazer-para-perto (o que basicamente inclui todas as ações possíveis no campo das emoções). A imagem do Pentagrama se torna então um ícone visual tanto desta intenção quanto da autoridade que o magista obteve e que lhe permite executar a sua vontade.

Por isso o magista vira-se para o Quatro Cantos, tradicionalmente simbólicos dos Quatro Elementos, tradicionalmente simbólicos de certas qualidades interessantes de que toda a Criação é composta... Onde eu estava mesmo? Ah sim, crava-se o Pentagrama (de preferência flamejante, viril) nos quatro cantos como se se dissesse: "aew putada, pres'tenção, eu sou O HOMEM da parada, então é melhor ficar na moral!" ou algo mais eloqüente e menos divertido. Vibrar o nome divino apropriado especifica a vibração do momento (por que esta afirmação é um tanto generalizada e vaga) com a energia específica do elemento simbolizado (tradicionalmente) pelo Quadrante.

Agora, eu acho que a grande jogada nessa análise só aparece quando se conecta realmente "astral" com "emocional". É impressionante como ao longo do tempo se passa a perceber o emocional como uma espécie de campo; como se cada ponto do espaço possuísse um estado emocional, em função das pessoas ou sei lá. Isso é só um chute mais ou menos, porque é difícil raciocinar sobre o emocional; seria como sentir uma equação lógica. Mas os elementos que compõe o seu emocional e o movem, o impulsionam, se tornam vivos e existentes, visíveis; você passa a se relacionar com eles téte a téte, não mais eles te arrastando sem que você tome conhecimento.

Eu acredito que o Ritual Menor do Pentagrama funcione nesse plano: o plano emocional do homem; e sua prática leva o estudante a ter um maior controle sobre os seus impulsos pelo simples reconhecimento da sua existência e afirmação da sua autoridade de comandá-los, ao invés de o contrário.

E amen.

Quarta-feira, Novembro 14, 2001

Caralio, olha que bacana ficou o Pentagrama do Levi nesse fundo preto, cara!
Coloquei ele ali porque já, já vou começar a divagar sobre ele, por conta de uma redação que eu tenho que escrever.
Imagina só.

Terça-feira, Novembro 13, 2001

De volta à vida comum. Ou o que mais tem se parecido com tal coisa desde 1995... Mas eu acho que se naquela época as coisas estivessem tão mansas eu teria pirado.

Aliás, se bem me lembro, naquele ano eu pirei mesmo, e por justamente esse motivo. Eu me lembro que estudava, e mais nada. Nossa, como eu queria estudar e mais nada hoje... A vida nos oferece o tanto que podemos agüentar e mais um pouco, eu acho, só pra manter as coisas interessantes.

Se bem que naquela época eu comprava vários gibis. Isso era legal.

De qualquer modo, hoje me sinto mais um homenzinho. De uns tempos pra cá tem aumentado a minha sensação de ter propósito nas coisas que eu faço, mesmo quando estou só coçando o saco ou passando um tempo com amigos... Pro que afinal de contas essas coisas também tem o seu valor; coçar o saco em especial, ao menos pra quem não tem a visão de passar um talco, ou a previsão de passar um sabonete.

Agora, se eu conseguir manter um treino de kung fu (que recomecei este mês) regular até o fim do ano vou ter realizado mais em seis meses que, talvez, em uns 4 anos de Rio de Janeiro. Infância não conta, ela só serve pra brincar de pique.

Eu não culparia uma pessoa por não agüentar resolver sua vida...
Eu estou mais surpreso que qualquer outro pelo meu próprio rumo.

Domingo, Novembro 11, 2001

É claro que eu tive que fazer isso... Cá estou eu, na casa de um camarada que conheci faz dois dias, e onde acabei passando o fim de semana inteiro... Não podia deixar passar a oportunidade de deixar uma nota sobre este acontecimento surreal.

Quero dizer, não é todo dia que você conhece fãs de Tracy Chapman.

De qualquer modo, está sendo o seu básico fim-de-semana-nerd com muita cerveja, muita internet, muitas conversas filosóficas, e pouco tempo fora de casa.
Amém.

Quarta-feira, Novembro 07, 2001

Essa vai ser uma longa entrada. Hoje me aconteceu uma coisa horrível.

Não que seja realmente horrível por si mesma; mas... Este diário não vai muito longe -- na verdade, só depois de velho que meus diários começaram a durar -- por isso ninguém que possa ler esta porcaria acompanhou meus momentos mais horríveis: o pior, até hoje, foi a visão da morte.

Mas hoje eu tive uma visão do mar.

O mar me lembra T. Não porque um dos nossos momentos mais marcantes tenha sido ao seu lado, apesar de ser uma coincidência interessante; mas porque com T. eu tive a minha primeira visão do mar. O Grande Oceano na Qabalah é Binah, a grande Mãe, que para os Thelemitas é Babalon, a Luxúria do Taro; a Força do sexo, do tesão, da luxúria, que é a força vital humana ela mesma, que brota como uma grande Besta em fúria, desejo, e energia.

Eu sempre penso no mar (nem sempre, mas é boa poesia pensar assim) quando estou no chuveiro ou na piscina, essas coisas são o Mar para mim; porque o mar é só sensação; a água tocando cada ponto do seu corpo; mesmo que fria, intensa; sensação, sensação, sensação, sensação por todos os lados e em todos os membros sem cessar. Até hoje eu posso sentí-lo, só que quente, permeando a minha pele, tocando cada centro externo e interno, impressionando cada órgão interno, e mesmo assim tenho a certeza absoluta de que isso não passa de uma sombra do que os sábios de certa região chamaram de o Despertar da Kundalini, o que me deixa feliz; isso não é nem perto de toda a intensidade que um Homem pode sentir daquela energia que brota de um centro desconhecido e impulsiona com toda força.

Mas o que é essa força para uma criança como eu? Cujas tendências são incontroláveis, ou melhor, descontroladas, e os impulsos insatisfeitos por incapacidade, circunstância ou destino? Como posso eu julgar? Apesar disso, julgo, pois como um homem manifesto na Terra não há outra opção para mim; não posso fazer mais que enxergar as causas internas e externas, eu e outrem; e ver que aquilo que me falta está lá fora, esperando por mim, fora do meu alcance, ou no meu alcance, mas não o suficiente para minha medíocre capacidade de conquista.

Eu não sei o que pensar. Não sei o que dizer para aquela que me caiu do céu como companheira; tudo o que posso pensar sobre ela é que ela é perfeita, só que uma perfeição com exceções. Pois a perfeição, como diria o Taoísta, é a satisfação das necessidades que leva à paz; e olhe para mim, a criança, desejosa, insatisfeita, descontrolada, onde está a causa disso? Está em mim? Haverei eu de me conformar como o místico, e aceitar que de fato o Universo é perfeito, que se eu vejo imperfeição nele isso não passa de uma projeção da minha própria imperfeição? E irei eu por fim me tornar um castrado, por negar meu impulso, silenciá-lo, até o ponto onde ele morra e eu atinja a falsa paz do casto e do celibatário?

Será isso desnecessário e apenas um argumento fútil daquele que julga esse sistema divino do seu ponto de vista sujo e infantil?

Ou serei eu forçado a aceitar que nada do que é humano pode se encaixar perfeitamente, que a perfeição humana está no próprio atrito, e que eu devo, como homem, tomar aquilo que me é necessário pela Força? Mesmo contra a vontade? E se isso for apenas um argumento fútil de alguém que julga essa verdade divina de que não há algo que ocorra contra a vontade, e que tudo que ocorre está perfeito, e que a crítica a isso parte de um ponto de vista sujo e infantil?

Devo eu me conformar com o fato de que nem todos são tão simples como eu? Serei eu o complicado, e todos os outros simples? Será que o meu juízo foi comprometido pelo meu desejo insatisfeito?

Por que, afinal, o centro da questão é o sexo. A luxúria. A satisfação do desejo carnal. E a beleza disso é indiscutível, não aceita disputas. Não há quem me fale sobre o Amor Platônico, ou Amor Chato, ou mesmo amor homossexual como afirmam alguns autores; pois o amor físico é o amor humano, o amor animal, que existe em todos nós a partir do momento que nascemos como Homens e Mulheres nesta Terra.

Eu tenho Amor, e isto já me foi concedido saber.

Esta semana passada também me foi concecido conhecer uma coisa, uma coisa importante, que me fez estremecer por explicar todos os complexos: eu tenho uma necessidade, uma necessidade muito essencial, de ser desejado. A questão de forçar alguém a fazer algo que não queira se resume simplesmente ao desejo de que alguém queira me dar aquilo que eu quero receber. E isso é muito importante.

Mas assentada a Verdade no plano superior do Iniciado, só resta afirmá-la com Ação o Homem da Terra; e o que fazer? Me foi dada pelos Mestres (e nisso eu tenho plena convicção) uma companheira maravilhosa para que eu venha a me conhecer através do Casamento, mesmo que não consumado com um Filho; mas como tudo na vida, não há nunca, nunca, nunca um fim.

Conversei muito com Frater A. H. sobre isso, muito, muito; mas pobre dele, por ter em mim um fardo tão imenso e intratável; ele não soube o que me dizer. Pois enquanto ele considera as questões mais elevados, O que é o prazer? O que é o relacionamento? O que é o desejo? Como deve um Homem lidar com suas necessidades? Em quais planos elas se encontram? eu não passo de uma criatura abjeta poluindo os meus pares com meus impulsos desequilibrados.

Eu preciso. Eu quero. Eu preciso, de quê? De que precisem de mim? Eu preciso aliviar o impulso? A pouco eu não pensava deste ponto de vista. Eu pensava: ela deveria. Ela deveria. Eu tenho medo de ter razão. Eu tenho medo de realmente ser a responsabilidade de outrem me satisfazer, e tenho medo de que seja a minha responsabilidade fazer com que esta outra pessoa me satisfaça impondo sobre ela a minha força, que existe, e que eu já vi em ação bem sucedida; por quê? Por que é tão insuportável a idéia de fazer com que aconteça aquilo que eu quero? Por que esse complexo imbecil, que deseja imensamente que o Universo se faça como eu quero por si mesmo?

Eu tive uma visão, uma visão do fim. Eu não quero este fim. Mas eu vi. Eu vi porque ele é verdade, porque é a conseqüência direta, certa e necessária dos acontecimentos como estão, dos impulsos como vão, do curso natural das coisas. Eu sei que este curso está à mercê daqueles como A. H. de acordo com a sua Vontade; mas como irei eu entrar em sintonia com tais seres? Não sei o que dizer a A. H. Por que deveria ele tomar partido, decidir entre um curso e outro, já que são equivalentes? O que é melhor para o Universo? Como saber? E porque essas considerações vagas e subjetivas me impedem de simplesmente decidir arbitrariamente a satisfação dos meus desejos, já que sei muito bem que qualquer curso é válido, inclusive este?

Eu desejo ser desejado. Sim. Sim... Mas eu me tornei frio, tão frio que estou chorando por dentro enquanto não correm lágrimas numa face tranqüila, construída à força. Minha mente se embaralha ao ponto de saber que este texto não tem coerência interna, que ele é nada mais que um emaranhado de pensamentos despejados como úm 'dump' de memória mental; mas nada disso me importa; porque eu estou aqui com este único propósito.

Eu não sei o que fazer. Eu não faço idéia do que fazer. A verdade de que tudo que odiamos está dentro de nós mesmo é imensa, porque o que eu mais odeio é a falta de vontade, e eu não sei o que fazer. Eu não sei o que decidir. Eu não quero decidir. Eu tenho medo de decidir. Eu quero que todos sejam perfeitos. Que sejam ótimos. Que se encaixem bem. Por que as pessoas não se encaixam bem? Por que elas sempre têm que me deixar confuso? Por que todos não se enquadram naquilo que seria perfeito para mim? Por que tenho que colocá-las no seu devido lugar? Quando penetrei nos primeiros e mais básicos limites da Iniciação, vi que mesmo esse início ridículo era infinitamente maior que os das outras pessoas. Eu não aceito. Não quero. Não pode ser. Não pode ser que as outras pessoas com quem convivo, a quem amo, sejam pequenas, sejam nada, não tenham curso. Não pode. Não. não pode. :-*(

Eu passei hoje duas horas ou mais pensando num jeito. Um jeito qualquer, por mais difícil. Meus defeitos momentâneos, preguiça, desorganização, nada disso me importa agora; eu preciso arranjar um jeito de me fazer em paz com ela porque eu sei muito bem que o que ela é, é simplesmente ideal. Só que o ideal atual é o ideal imaturo, e este ideal não é uma pessoa, mas duas pessoas; e a imaturidade dessa dupla é conseqüência da imaturidade dos seus componentes; mas o que há em mim? Não posso saber, pois Eu sou Eu; eu posso analisar Outro, como se fosse Outro; mas analisar Eu como se fosse Outro, isso está mesmo fora do alcande de A. H.; mesmo ele não pode me dar um conselho, porque ele ainda é apenas ele, e nada mais.

Não há escapatória da cruel realidade dos fatos. Não há misticismo que suplante a verdade física. O corpo é o que é. O espírito é abstrato; o corpo é material. Eu não sou teísta; e duvido que seja realmente gnóstico; eu entendo níveis sutis não compreendidos pela linearidade ou causalidade, mas isso não significa que haja algo "mágico" ou "místico" realmente. Eu compreendo em mim o sexo, o tesão, o emocional; eu vejo e sinto na pele o desejo, ou a antipatia, ou a simpatia, ou o antagonismo, ou o afeto, ou desafeto, ou complexo, correndo pelas veias e pela epiderme e pelos plexos e pelas glândulas; eu sinto no orgasmo por qualquer que produzido a pressão na próstata causada pelo estado correto de espírito que desperta a sensação e espalha a energia por todos o corpo numa onda violenta; e de que isso me adianta? Nada. Nada disso resolve o meu problema mais simples, mais tranqüilo: o que fazer?

Ela já reclamou antes de não ser mencionada, e acho que agora é o momento. Qualquer que seja o acontecimento futuro, eu sei, eu compreendo, Daniela, que eu te amo e isso significa mais que o desejo carnal, ou a simpatia emocional, ou a verdade racional, e talvez até mesmo a intuição divina (apesar de ser impertinente discutir o divino no plano racional das idéias); mas eu não sei o que fazer com você. Não por você, e talvez nem por mim; mas como eu desejo, e como você não deseja; ou como você deseja mas não age, e como eu desejo que aja; ou como você deseja e age, e eu doente não vejo; ou a pior das possibilidades, que incrivelmente é a mais simples para o meu organismo: que você não deseja e não aja, ou que você deseje mas não aja, simplesmente por que não sabe; o que me força a agir, a força, a moldar, a imprimir na sua vontade a minha...

O que seria a ação de um Homem. Pois o Homem é a energia viril que imprime na Mulher a sua Vontade para que ela frutifique no útero e se materialize, ou nasça; terei eu que ser isso? É assustador. É lindo, mas assustador. Mas, de acordo com a minha natureza anterior, mesmo sabendo de todas essas coisas eu ainda assim preciso de uma fagulha de consentimento.

E é por isso que, antes de tomar a decisão que pode pôr um fim a nós como eu vi em minha visão do mar, eu vou falar.