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Quarta-feira, Outubro 03, 2001

Passei o dia todo hoje pensando em propósito. Propósito e motivação. Propósito, motivação e objetivo.
Ou objetividade, ou apenas motivos; ou uma das combinações e derivações dos termos. Assim funciona o meu raciocíno.

Na verdade, comecei pensando em energia. Porque eu estava MORTO, voltando de Copacabana. Pensei, cá comigo "estar morto significa não conseguir fazer mais nada, isso pode ser reescrito como incapacidade de realizar trabalho, o que equivale a falta de energia. Como se repoem as energias de um ser humano? Quanta energia podemos acumular?" Não me parece verdadeiro que seja finita a quantidade de energia que uma pessoa tem potencial de acumular. Não, não é exatamente isso. Mas eu acredito que todas as pessoas tenham à sua disposição, de modo inato, uma quantidade infinita de energia. Apesar de isso também não parecer exato, já que precisamos comer para que o corpo tenha energia; mas existem muitos níveis (ou planos, se preferir) a considerar.

Além esse problema, está o outro de "porque umas pessoas tem muita energia e outras pouca?" Não acredito que a solução para este problema seja simplesmente que umas pessoas tem muita energia, e outras tenham pouca. Há uma relação entre a quantidade de energia disponível para uma pessoa e a intensidade das suas motivações; ao menos, é o que a minha experiência me indica. Obsessões furiosas entregam muita energia aos maníacos, tanto mais quanto a pessoa for incapaz de considerar outras coisas além do objeto de sua obsessão; também temos a lei (lei?) mágica que nos ensina que a energia se acumula onde a consciência se concentra. E a experiência de todos os magistas diz que quanto mais focalizada a mente em um objetivo, mais energia disponível para se realizar o trabalho.

São observações interessantes; mas, afinal, como obter uma motivação desta magnitude? A princípio isso pode até mesmo parecer doentio; tomar um objetivo como meta única indiscutível com o intuito de reunir infita energia a ser empregada neste fim, e acabar como um burro que só enxerga pra frente, e só anda pra frente. E como escolher um objetivo apenas, quando se tem o entendimento que todos os objetivos são válidos? E que não necessariamente o escolhido é o melhor?

Sim o "porque" é um demônio dos piores; difícil de banir.
Talvez nem seja possível de banir; talvez nem seja prudente baní-lo.
O que é uma pessoa sem "porque"s? Essencialmente, é por isso que estamos aqui, para saber os "porque"s. Se não nos interessássemos pelos porques, estaríamos satisfeitos com o método que desse resultados, o que poderíamos descobrir pela tentativa e erro até nos darmos por satisfeitos.

Mas para sermos assim, precisaríamos de um objetivo, atrás do qual aplicaríamos o dito método.
Mas isso nós ainda não temos; assim, ou ficamos com os "porque"s, o com a morte cerebral.