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Sexta-feira, Agosto 31, 2001

Eu proponho uma charada.

"Você nunca fez nada para machucar alguém";
mas "pessoas já se machucaram por algo que você fez".

A mudança na voz do verbo é sutil, mas profunda.
Quando você nunca fez nada para machucar alguém; você pode dizer com certeza que não o fez?

E se fez, mas não tinha sabedoria para reconhecer que fez?

Como você age, conhecendo essa incerteza?

muitas sensações flutuando no ar fazem da literatura uma arte difícil de se praticar. que dia mais estranho.

uma vez um pedaço da minha mente (que estava conversando com outro pedaço) perguntou por que eu tenho tanto interesse nas pessoas de personalidade forte, se sei que sempre vamos entrar em conflito. e o outro pedaço respondeu que isso era porque eu gosto de me expor o mais naturalmente possível; mas que fazer isso na maior parte das vezes significa esmagar as outras pessoas... mas eu não quero esmagar ninguém :-( por que as pessoas se sentem esmagadas quando não se está tentando esmagá-las?

algumas vezes eu fico imaginando aquelas histórias de magos estudando segredos secretos que quando os aprendizes tolos tentam adquirir para obter poderes maléficos são destruídos pelos segredos que não tinham poder para controlar... eu imagino se isso também não é uma analogia de uma verdade oculta. algumas vezes eu me sinto distante do mundo. como aparece em uma cena de Eva. de como as pessoas são separadas por uma barreira que impede seus interiores de se tocarem de fato; que elas estão sempre separadas pela aparência; de como para cada um, todos os outros são apenas sombras-dos-outros formuladas por eles próprios; e não serei eu também uma sombra formada por Mim próprio? "the slaves shall serve", talvez porque, como lembrou Crowley em um contexto totalmenteo outro, "C'est son métier".

algumas vezes eu me sinto como o vilão que está destinado a ser o vilão e não tem outra opção. cuja sina é fazer merda em momentos chave, e destruir o universo, ou coisa parecida. na verdade eu nem mesmo sei porque estou pensando em todas essas coisas, eu não estou nem mesmo triste. mas talvez seja o alarme da experiência passada reclamando... que coisa mais horrível! é um demônio feioso, este, que eu ainda não vi tète a tète.

Quinta-feira, Agosto 30, 2001

there are times when all the world's asleep
the question runs too deep
for such a simple man...
will you please, please tell me what we've learned...
I know it sounds absurd
but please tell me who I am...

A letra dessa música estava guardada numa pasta de poesias desde os idos de 1990, de um exercício no curso de inglês da tia Marluce. Só conheço um trecho de texto que tem um impacto similar a este, que foi o início de um conto do Lovecraft, "The Silver Key".

but at night, when all the worlds asleep
the question runs so deep...

Algumas perguntas são tão horríveis que nem mesmo se formulam em palavras. Como se supõe que uma pergunta como essa seja respondida? Com uma onomatopéia talvez. Mesmo que não fosse satisfatória, seria ao menos engraçada.
O problema de responder as perguntas com piadas é que as perguntas são como as bactérias: ficam resistentes. Depois de um tempo, perde-se a graça, e fica-se com a pergunta.

Às vezes até se perdem as perguntas.
Sentado à janela, aproveitando uma daquelas noites quando a Lua está visível do lado de cá do apertamento, a constatação horrível e o pensamento: "Mas com que diabos eu estou confuso?" e a resposta "Bem, aparentemente nada!" e por dois segundos o alívio, e depois perde-se também o alívio.

Como se um grande --> ? <-- estivesse cravado na sua alma.

É muito difícil saber o que se quer. O que não se quer (tenho certeza que a minha gramática não foi suficiente nesse parágrafo) é muito mais fácil. "O que você quer fazer?" perguntam; "Sei lá" respondemos; "Então vamos nos jogar de um precipício agora mesmo!" propõe; "Eu não, você está maluco?" é fácil de responder. Mas, resistindo à tentação de nos jogarmos no precipício, ficamos ainda sem saber o que fazer.

Hum.

Quarta-feira, Agosto 29, 2001

não consigo dormir o.0
eu me sinto como aquela pessoa que está tão feliz que começa a chorar. já parou pra pensar que bizarro? as pessoas ficam felizes, e choram. às vezes eu me pergunto se a felicidade não é algo que suja os olhos, pra precisar de tanta lubrificação...
cá estou eu, feliz e contente (apesar da porcaria do DAA [sic?] ferrar com o meu SAID) depois de beber e trocar várias idéias e tudo o mais e não consigo dormir.

talvez eu não devesse reclamar e aproveitar que estou sem sono pra fazer algo...
tipo...
escrever?
mas eu já estou fazendo isso :P

às vezes a coisa a fazer não é nem mesmo uma *coisa*, mas mudar de coisa. 'tendeu? bate uma vontade de fazer *outra* coisa. foi decepcionante agora perceber que eu estava escrevendo... porque eu estava a fim de parar de fazer o que eu estava fazendo (que basicamente era tentar dormir) e começar a escrever; mas eu já estava fazendo isso. e não estou a fim de parar de fazer o que estou fazendo agora (escrever, digo) para começar a dormir... não estava conseguindo antes, e não vejo porque conseguiria agora.

por outro lado, não posso dizer que é particularmente bom para a minha saúde mental acordar com insônia pra ouvir Radiohead... but then again, who gives a shit? certainly not me.

hora de escrever como ensaio aquela coisa geométrica que eu pensei ontem. se bem que não pensei ontem, pensei antes; mas falei ontem, e falei pra alguém! alguém! é bom falar coisas para pessoas, de vez em quando; eu encho o saco da minha própria companhia, às vezes, e já estou hangin' out comigo mesmo a fuckin' 19 anos.

esse site ainda vai me fazer famoso. e isso sim não é bom pra minha saúde mental...

Segunda-feira, Agosto 27, 2001

Eu acho que, definitivamente, já é hora de passar mais do meu tempo vivendo como um ser humano.

Eu estou muito satisfeito porque no outro dia eu fiz o que considero uma mágica das mais bem feitas, coisa de 'once in a lifetime'... Meio que me deixou satisfeito. Redundância sux. Isso, é claro, ao mesmo tempo em que (provavelmente) fazia besteiras do outro lado.
Tudo muito trivial, veja você.

A única coisa que eu gostaria é que as pessoas mantivessem as portas abertas por mais tempo que apenas umas poucas semanas; como nos confunde a anedota, o homem que cerca sua casa de altos muros está a protegendo da invasão , ou está se limitando à uma prisão?

Talvez a sensação de liberdade experimentada pelo contato com o gênio imortal seja menos "'mística" do que se imagina... Por que se tens a certeza da eternidade do ser, de que importam as confusões e incertezas de um ponto particular na infinita reta do tempo?
Grandes merda, o ponto particular!

Sexta-feira, Agosto 24, 2001

Não sei por quê eu acho tão bonitinhos os contos de fadas televisivos.
Mas eu acho.
Adoro Sailor Moon; me lembro de ter chorado um rio quando vi pela primeira vez a série original; com aquele final dramático... As outras séries todas tiveram finais dramáticos, mas nada comparável ao sacrifício final da princesa Serena.

Contos de fadas como este sempre tem um final feliz...
Um amor sofrido, mas infinito; quando assistimos temos aquela desejo imenso de viver um sofrimento parecido, porque ele parece ser aconchegante...

Seria bizarro e doentio, se não fosse tão lindo...

Mas é justamente por isso que se chama ficção: não é de verdade. Todas as vezes que eu vejo um conto de fadas eu me lembro que o sofrimento é (por incrível que pareça) sofrido e doloroso, principalmente quando é de amor; e infelizmente, na vida real, nem sempre somos correspondidos, e nem sempre o final é feliz; principalmente porque não somos perfeitos, mesmo que nossos amores e amigos e o resto do mundo inteiro fosse.

Acho que você está começando a ficar louco, ou velho, quando sente tanta tristeza só por ficar feliz...

Quinta-feira, Agosto 23, 2001

WoWoooWOWWoooWW...
o.0
Já faz tempo que eu não escrevo nada por aqui...
Desde Maio, não é mesmo? Que coisa...

Pelo que eu me lembro, eu parei de escrever isso aqui porque não tinha saco.
Mas de lá pra cá eu cheguei à conclusão que a vida é um saco; e que seria divertido
compartilhar minhas constatações místicas a esse respeito. Ha!