Posicionamento?
Duas vezes, hoje.
Estava chegando no restaurante. O sujeito da porta me entrega a comanda, abro a porta... Pela metade? Há este sujeito parado no caminho da porta, olhando para baixo, raspando o bagulho promocional.
Abro a porta até onde ela vai. Entro até onde posso. O sujeito está lá. Fico parado ali uns dez segundos. O sujeito raspando. O que diabo há tanto para raspar naquele papelzinho? É minúsculo.
-- ME DÊ LICENÇA.
O sujeito mal olha pra cima, só dá um passo pro lado. Raspando o papelzinho da promoção do restaurante. Dureza deve ser mesmo fogo.
Pois bem.
Na saída, estão essas duas mulheres. Velhas. Mas não tão velhas. Cheias de papel na mão. Troco, sei lá. A primeira passa pela porta. Mas são tantos papéis... Ela começa a ajeitar os papéis. A amiga começa a ajeitar os papéis. Eu estou parado. Elas estão exatamente na porta. Eu não acredito nisso.
Quando cheguei na estação de Botafogo hoje, o trem estava na estação. Eu ainda precisava comprar o bilhete, então soube que o dia ia ser ruim; sempre é quando eu chego na estação e o trem sai logo quando eu passo pela roleta.
A mulher gorda demorou mais que aqueles dez segundos de antes pra se mexer. E se mexeu porque de repente a amiga percebeu que elas estavam na porta e gritou FULANA! E a FULANA, num susto, olhava de UM LADO PARA O OUTRO, procurando algum tipo de ameaça à sua vida, ou coisa parecida, o motivo óbvio porque sua amiga a chamou pelo nome tão alto; ao menos, enquanto procurava o inimigo invisível, se moveu lentamente para a fora.
Me atirei em direção à porta e passei por uma fresta entre o vido e a gordura.
O resto do dia foi razoável.



