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Quinta-feira, Dezembro 29, 2005

Infâmia

Acabei de chegar em casa do meu maior ato de vilania este ano.
Após um discurso friamente calculado, com a pior das intenções, consegui que ela cometesse o pior erro que já cometeu, e se enroscasse novamente comigo. (I.e. estamos namorando denovo).

Há menos que cinco pessoas nesse mundo, incluindo nós mesmos, que não vão nos odiar por essa decisão. Eu assumo completamente a autoria deste atentado à sanidade social.

Preparem-se.

Segunda-feira, Dezembro 26, 2005

Nostalgia Extrema

Acabei de achar meu diário de 2002.
O que está havendo!?

Nostalgia Reloaded

Pelos pentelhos da grande Deusa, encontrei no Orkut minhas vizinhas da Costa do Sol.
Que época deliciosa.

Natal I

Experimentei levemente uma dialética dos relacionamentos hoje.

Estávamos amontoados lá na casa do tio Ricardo, quando no meio da tarde, eu via o Auto da Compadecida com Camila, Caio e Vinícius, Marcia entrou no quarto para me comunicar que estávamos indo embora.

Um parêntese curioso é que ela não disse realmente que estávamos indo embora. Se bem me lembro, ela disse, Eu e mamãe estamos indo embora. Mas vamos prosseguir.

Levantei calmamente e fui até a sala. Conversei rapidamente com mamãe enquanto abria a minha carteira. Havíamos combinado no dia anterior voltar para casa de táxi. ENtão eu disse, Bom, aqui tem trinta reais para o táxi.

Enquanto eu voltava para o quarto para terminar de ver o filme mamãe dizia algo como Putz, cara, eu e Marcia estamos indo, não significa que você precisa ir. Eu disse um Okay e fim da história.

Daí eu fiquei com essa cena na cabeça. Meu senso de integração é macro; claro que eu tenho noção do que é a minha família local, minha família grande, meu clã, e assim por diante. Mas mesmo estando ali junto com minha mãe e minha irmã, naquele momento o meu lance era me mover em liberdade entre todas aquelas outras pessoas.

Mas então eu tive a visão da sensação oposta de unidade: somos nós, chegamos juntos, saímos juntos, e tal. Não é tanto o problema de "ser visita" versus "ser de casa", mas um outro. Foi muito fácil e automático dizer Tchau, hein, vou ficar. Como você interpreta isso?

Sexta-feira, Dezembro 23, 2005

Ponte Aérea

[Ou, Vôo 1538, Congonhas - Santos Dumont]

No avião, uma experiência mística.

Estava lendo a Lei. E então veio o lanchinho. Pedi um guaraná, e abri a caixinha. Ali dentro havia um pacote de biscoito salgado e um negócio chamado Goiabinha. Segue o meu diálogo interno. Não sei qual dos Pedros era qual Pedro, então, acompanhe como puder.

-- Eca, que merda.
-- Por que é uma merda?
-- Ué, porque sim.
-- Tem certeza?
-- Ah, sei lá.
-- Cara, os únicos gostos que passam pela sua língua são sempre os mesmos. Como esse gosto salgado seco do biscoito salgado.
-- ...
-- Imagina que tipo de reflexo isso tem no teu corpo astral, sempre os mesmos sabores, secos e salgados.
-- ...
-- Qual é o seu problema?
-- Não gosto.
-- Por quê? Come essa porra.
-- Não. Tenho medo.
-- De quê?
-- Desse sabor. Ele vai impregnar a minha língua, vai envolver, se propagar por qliphoth. Vai estar por toda parte.
-- E daí? É um sabor, e é doce.
-- Não gosto muito de doce.
-- Esse pacote é pequeno.
-- Não quero.
-- Por que você tem medo desse sabor?
-- ...
-- Diz logo, porra.
-- ...
Não consegui descobrir por quê, então, abri o pacote e comi a porcaria do Goiabinha. Tem um gosto mais pra menos nas laterais da língua, mas na ponta e na parte de trás o gosto é bom. Era macio, e provavelmente não tinha o gosto mais acentuado que provavelmente teria se fosse de melhor qualidade. Terminei de tomar meu guaraná e cochilei um pouco.

Não muito porque a ponte aérea é curta. E mesmo que não fosse...




...duas meninas estavam chorando, gritando, as duas atrás de mim, cada uma em um ouvido.

Eu fiquei extremamente irritado com aquela choradeira. Pensei, Putz, mas que merda, será que não entendem que isso não faz sentido? O que essas meninas estão querendo? Não estão querendo nada, né? Só enchendo o saco. Não é assim que se consegue as coisas. Porque não desistem? Que choro intermitente, nem mesmo faz sentido! O que elas tão dizendo? Porque, ao menos, não dizem algo coerente? Só fica esse barulho infernal.

E então eu me dei conta que estava exigindo sabedoria de crianças em pânico sabe-se lá porque motivo.

Que a Deusa me proteja do meu futuro sombrio.




Esqueci. Deve estar anotado aqui em algum lugar.

Quarta-feira, Dezembro 21, 2005

Dinheiro

Acabei de chegar em casa da minha "reunião" (no Botequim Informal) com o cara da Ágora primo do meu chapa. Já sei basicamente tudo que eu preciso saber pra começar. Eu não acredito que precise saber mais que isso, salvo dicas milagrosas de dinheiro instantâneo, mas não acredito realmente nessas.

Vou começar um investimento financeiro pelo meu próprio CPF. Quem confia em mim e tem dinheiro parado, venha conversar comigo.

Terça-feira, Dezembro 20, 2005

Nota Oficial da Confraria das Consoantes Maiúsculas

Gostaríamos de anunciar o falecimento de G. Descanse em paz.

Plataforma de Embarque Número 1

[Ou, Salão de Embarque do Aeroporto Internacional de Congonhas]

Estes pensamentos foram escritos para Sofia, mas em homenagem a Congonhas, com quem tenho uma relação de amor e ódio, os exponho ao escrutínio público.

Decidi mostrar pra galera, em suma.



Da última vez que estive aqui esperava um vôo atrasado da Varig pro Rio, lá do outro lado do saguão, provavelmente portão 25. Já era tarde e na época eu não tinha ainda meu CD player portátil. Provavelmente estava tentando escrever alguma história; mas sem sucesso, porque não conseguia não prestar atenção à conversa generosa em decibéis entre esta jovem executiva e seu (assim suponho) jovem ex-marido.

-- ... mas é um absurdo, FULANO.
--
-- Mas é aniversário dela.
--
-- É assim que ela vai se lembrar de você? Porque você está fazendo isso? É isso mesmo que você quer pra sua filha?
--
-- Mas FULANO ... -- a voz mais trêmula -- É a sua filha, você está fazendo isso pra se vingar de mim? É a sua filha!

A princípio eu acreditei que estava rolando um drama e ela estivesse reclamando da falta de generosidade do sujeito. Mas logo descobri que o que ela queria não era dinheiro, mas a permissão que a justiça exige que um pai dê para que a mãe possa tirar a criança do país. A mulher queria mandar a menina para Orlando, um passeio pelos parques de diversão. A conversa continuou até que eu embarquei, e não mais pude ouví-la.

Eu entrei em pânico. Eu entro em pânico muito fácil, ao menos, eu vivendo no meu mundo particular dentro de mim mesmo. Corri de um lado para o outro desesperado. O que nos leva a esses jogos de poder? Estimava a genealogia daquela conversa: conhecia muito bem as micro disputas pelas micro satisfações nas micro situações com suas micro ansiedades e frustrações. É terrível como cada um desses quebra-molas pode destruir a suspensão dos nossos espíritos, tornar a direção das nossas vidas mais duras, e tornar para o carona a viagem uma experiência traumática.

Reduzir os problemas aos seus valores fundamentais, naquele momento, foi o que me deixou em pânico. Porque após me absorver um pouco no dilema do casal, de súbito eu me lembrei que havia uma criança envolvida. E essa criança não iria se divertir, porque adultos não sabem o que estão fazendo. Senti bastante raiva do sujeito, observando aquela disputa local; por mais que a mulher tivesse sido uma mala, o que a criança tem com isso? Mas é sempre muito fácil sentir raiva observando uma disputa local. Por fim, fiquei com pena da menina.

É vedadeiramente absurdo e cruel que uma sensação tão violenta de atração, que atravesse as formas mais intensas de prazer, de exploração mútua, degenere de modo tão insidiosamente difícil de perceber e de conter no completo desentendimento. O desentendimento é absurdo, é a morte de um relacionamento.

Um relacionamento qualquer. Relacionar-se é trocar. Suponho que as disputas de poder aconteçam porque queremos sempre mais, e para se tirar mais de uma troca, é preciso poder sobre com quem se troca. E quem sou eu para reclamar dessa situação? Eu a conheço bem, tendo participado dela, visto com meus próprios olhos o seu desenrolar, uma insidiosa forma de repulsa crescente no escuro a cada pequena derrota que o meu organismo não pôde transmutar criar um monstro intolerável, nascido de um peito partido tipo Alien, o Oitavo Passageiro.

Repara como o sujeito do filme sabe que está com um monstro dentro, e acompanha com os olhos o bicho arrebentando seu peito e pulando fora, sua última visão antes de morrer.

A intolerância é intolerável. Que o desejo não seja infinitamente regenerável é intolerável. É intolerável o esgotamento diante de uma necessidade não satisfeita.

O que tudo isso diz do amor? Absolutamente nada. O pobre amor fica esquecido como uma menina que quer se divertir é obscurecida pela sombra formada por seus adultos pais disputando sua morta-vida disputa de um relacionamento morto-vivo.

O que somos nós?



Há este jogo de tabuleiro. Nele, um quadrado de casinhas vazias, e peças com um lado branco e o outro preto. Os jogadores, em turnos, colocam peças no tabuleiro; quando acontece de entre a nova peça e uma outra peça deste jogador limitar um segmento de peças do oponente, essas peças do oponente se transformam em peças do jogador. O jogo prossegue nisto até que no fim contam-se as peças e quem tiver o maior número ganha.

Meu talento nesse jogo era entender que não é preciso vencer nos primeiros turnos; não é importante virar peças do oponente nas primeiras jogadas. O importante é posicionar-se estrategicamente bem ao longo do jogo para que no final você tenha as melhores jogadas, as jogadas chave, e tenha suas próprias peças consolidadas e defendidas.

Então, quando meu irmão mais novo entrou neste relacionamento aleatório, e entrou em pânico porque todas as variáveis eram loucas e nada parecia sob controle e tudo podia acontecer, eu vi seu jogo em um tabuleiro limpo, nenhum jogador ainda tendo feito qualquer jogada, e sabia exatamente o que dizer:

-- Cara, você precisa aprender a perder.

Irônico. Só em Reversi eu sabia perder. Quando precisei perder, ceder um espaço para ganhar um jogo, também entrei em pânico. Então, não apenas perdi o jogo, como perdi o Jogo; agora, não posso mais ganhar ou perder; não jogo mais Reversi. Não se pode jogar Reversi sozinho.

[Nota exclusiva para Sofia segue.]



O que há nessa porra de aeroporto que me aborrece tanto? Não é possível que eu esteja chateado porque estar voltando de São Paulo para o Rio de Janeiro. Trouxe a quinta e a sexta de Beethoven comigo desta vez justamente para amaciar o meu espírito, e mesmo assim.

Domingo, Dezembro 18, 2005

Ih

Mas peraí. Exatamente QUANDO que eu fiz essa rachadura nos meus óculos? ¬¬

Nostalgia

Tô com um notebook da empresa aqui, acabei de achar um cabo cross perdido em casa, e agora configuro um NAT improvisado... Ai que saudade...

Sábado, Dezembro 17, 2005

Adult Swim, e outras paradas

Adult Swim. Ahn?

É um hobby meio estranho: sexta à noite, em casa, vendo televisão. Aliás, televisão: Cartoon Network.

O Adult Swim é uma programação bizarra. Não dá pra falar muito. Aqua Teen Hunger Force, Harvey Birdman e Sealab 2021 são os pontos fortes. Clone High também.

Mas então.

Então... eu saio do Rio Sul meio zonzo, sei lá, havia acabado de comer um trio cheddar no Bob's e, meu amigo, aquilo é pura gordura e carboidrato.

Entro no primeiro ônibus vermelho que me aparece, não sei exatamente o porquê, já que eu estava pensando em pegar um frescão. Até passou um, a quatro e cinqüenta, mas ia até o Castelo, e eu pensei, Merda. Eu preciso chegar na Presidente Vargas com Uruguaiana. Então entrei em um vermelhinho, né?

Daí eu entro, super natural, com a pasta sobre os ombros, aquela papelada nas mãos, e a Lei; digo ao trocador, Companheiro, me deixa passar pra eu pegar o dinheiro.

Todo atolado ali no primeiro banco depois da roleta, puxei a minha carteira e encontrei uma nota de um real. Puta que pariu. Cadê o meu dinheiro?

O trocador era muito mal encarado, né. E eu tinha passado direto pela roleta. O que eu ia fazer? E no susto, coemcei a procurar dinheiro em tudo que era compartimento. Nada. E o cara vendo. Sei lá.

Considera que eu já tava meio puto. Aliás, muito puto. Por que eu tinha entrado no 433. Cara, o 433 não me leva pra Presidente Vargas com Uruguaiana, o 433 entra na Lapa. Porra! Uma placona deste tamanho no vidro da frente: LAPA - ESTÁCIO. Onde que eu perdi a minha cabeça? Como quando fui ver Paulinha no Leblon, voltei de 438, entro todo feliz no 438 exercendo minha sabedoria urbana, demorei muito tempo pra processar aquela placona no vidro da frente: VIA REBOUÇAS. Voltei andando a pé do Humaitá até em casa, naquele dia. Então. Eu tava sem grana dentro de um ônibus que me levava pra bem longe de onde eu tinha que estar.

Daí, naquela situação surreal, meio zonzo de todo aquele cheddar, e sei lá quanto do absinto aguado da noite anterior ainda no meu organismo, entrei em modo de segurança e resolvi tentar levantar fundos pra não me estressar com o trocador. Eu tenho sempre ticket refeição sobrando, então fui vender um desses pra algum passageiro.

A primeira senhora que eu abordei só tinha o da passagem. Okay. A segunda sorriu muito e me deu uma nota de dez reais. Não levou o ticket. Que generosa. Não entendi nada. A cara que o trocador fez pra mim foi de completa reprovação. Fiquei quietinho no meu canto. Saltei na Estácio.

Do ponto de ônibus caminhando até a estação do metrô passei por essa garotinha com uniforme de escola falando no celular:

-- Bem, né, se quando eu tinha treze tava saindo com os caras de vinte...

Mermão, que porra é essa.

No fim do dia, com alguns vouchers de taxi no bolso e as passagens impressas guardadas na minha pasta, percebi que não sabia o endereço do cliente em São Paulo que eu ia visitar.

Mermão. Onde que eu perdi a minha cabeça?

Quinta-feira, Dezembro 08, 2005

Confissão

Gostaria de confessar que é minha sincera opinião que a decisão de me entregar toda essa inteligência foi um péssimo negócio, pois ela está sendo completamente desperdiçada.

Quinta-feira, Dezembro 01, 2005

O Mal

Estava no metrô, (em pé, sem me segurar, como de praxe), lendo este livro sobre filosofia árabe. Não é exatamente sobre filosofia árabe, mas isso não importa nesse contexto. Estava lá, em pé, de costas para esta porta entre-vagões, e à minha direita estavam estas duas velhinhas e um sujeito sentados (com mais uma pessoa totalmente irrelevante).

Assim que eu puxei o livro, com a capa estampando "FALSAFA, a Filosofia entre os Árabes", a velhinha próxima cutucou a sua colega, com toda a descrição que pôde, o que naturalmente não foi suficiente. Cochicharam alguma coisa, olhando para a capa do livro.

O trem balançou, eu precisei dar um passo à frente pra conter o tranco; continuei lendo até que um banco vagou do meu lado esquerdo. Me sentei.

Quando me sentei, afundei no banco com a cabeça baixa, ajeitando minha bolsa no colo, com o livro apoiado nela; então levantei a cabeça lentamente, com os olhos fixos na reta à frente; eventualmente alcancei o nível dos olhos das pessoas e travei contato com aqueles OLHOS ESCROTOS DAQUELAS VELHAS ESCROTAS.

E eu olhei com muita calma, e olhei lá no fundo, e vi com ENORME PRAZER enquanto primeiro o sujeito, depois a velhinha do meio, e depois a velhinha da direita desviaram o olhar para baixo ou para o lado. Olhei de um lado para o outro, para me certificar que continuavam olhando para baixo, e quando me satisfiz daquela ridícula relação de poder, continuei lendo meu livro.

Non-sense via Texto

Meu celular às vezes é palco das conversas por texto mais estranhas. As duas mais recentes são as seguintes. Repare que estou copiando o texto integral da conversa.

[ele] To em nikitv doidao
[ele] Fujitsu ou tote fu eis o dilema
[eu] Gostar e ser ridículo.

(Eu estava deitado prestes a dormir na minha nova cama box.)

[ela] Nao! Onde? bjs
[eu] Onde? Sei lá. No Nova República.

(Eu estava terminando um trabalho de programação linear na UERJ.)

Agora, o mais bizarro de todos os tempos merece ser lembrado:

[ele] socorro

(Eu estava na cozinha com Marcia & amigas, ainda na Eduardo Guinle.)

Minha vida é emocionante...