Quarta-feira, Novembro 30, 2005

Fujitsu

A grande arte do Fujitsu sobreviveu à decadência dos ninja devido à especialíssima habilidade de seus mestres em simplesmente não estar lá.

O caminho da Ausência, chamado Fudo, é um caminho desenvolvido pelos monges budistas japoneses das épocas mais antigas, que se concentravam na doutrina do vazio e buscavam escapar mesmo fisicamente deste mundo de ilusão.

Os monges que seguiam este caminho do Fu-do eventualmente desenvolveram a arte do Fu-jutsu, uma arte esguia e de difícil acesso.

A tradição conta que as técnicas esparsas dos seguidores do Fu-do foram compiladas na arte do Fu-jutsu pelo grande mestre Gê-sama após uma experiência mística; quando, totalmente bêbado de saquê, percebeu-se subitamente em meio a uma violenta briga entre duas escolas de ken-jutsu. Uma súbita revelação iluminou sua mente naquele instante; então ele exclamou, IH, FUDÔ!, e seu corpo se movimentou de um modo veloz e misterioso, desaparecendo do local.

Terça-feira, Novembro 29, 2005

argh

Do jeito que as coisas acontecem, eu devia mesmo andar com a porcaria do gravador... Última coisa que fiz com ele foi uma entrevista de vinte minutos.

Acho que vou levá-lo na próxima sessão de conversa literária; pra gravar as variações do conto, como a gente discutiu da outra vez.

Isso é foda: as coisas vão acontecendo e a gente fica na vontade de captá-las em texto depois. Sábado passado foi um dos dias mais insanos do mês; cadê? (Domingo foi um dia interessante também, mas esse eu guardo só pra mim e pra Sofia.)

Bom, sei lá. Eu tô com mais um conto do Sujeito, da Guria e do Sábio na cabeça, mas quero primeiro fazer aquela jogada que o G. falou, e também trocar a pilha da Tatiana pra ver se ela começa a escrever a porcaria da história. (E põe logo um blog na mndfck.)

Essa putaria literária até que é divertida!

Tô a fim de ir no Arco Íris outra vez. Bora?

Sexta-feira, Novembro 25, 2005

Conto: Illuminati

Havíamos sido descobertos mais uma vez. Fugir estava se tornando incômodo. Corríamos pelas ruas mais escuras de Botafogo tentando alcançar o outro lado da Voluntários da Pátria.

Para a nossa sorte estávamos, desta vez, com adoradores de lâminas na nossa cola. Esses animais não apreciam muito os projéteis; por isso confiei em nossa fuga e não acionei uma equipe de confusão. Isso ainda vai acabar com o meu casamento.

Paramos por um momento; saltamos uma grade de ferro e escalamos por entre muros de altura desigual até o telhado de uma casa de festas. Esperamos ali.

-- Por quê você nunca chama a porcaria da equipe de apoio? Por acaso odeia a vida? -- inquiriu minha digníssima.
-- shh -- esquivei-me.

Um triângulo surgiu então descendo lentamente a rua. Acho que nos superestimaram. Saltei do telhado por sobre o portão caindo com o cotovelo direito sobre a nuca do vértice mais próximo; caí com os joelhos dobrados, amortecendo até o chão; com o braço direito ainda em arco saquei a lâmina do corpo em queda e com um movimento curto cortei as bainhas dos outros dois.

Os adoradores de lâminas mantinham esta formação estúpida com a distância entre cada vértice perfeita para otimizar os movimentos de um oponente. Acho que o número de decímetros do lado do triângulo equilátero é sagrado, cabalístico, ou coisa que o valha.

Detestava esses estúpidos adoradores de lâminas por isso. Já sabia o que esperar: abaixariam para apanhar suas espadas caídas no chão. Sábios em suas maneiras, treinavam arduamente para abaixar e levantar rapidamente, minimizando este raro momento de desvantagem. Enquanto perdiam seu estúpido tempo, desdobrei os joelhos e alinhei a lâmina no alto para acabar com aquelas vidas miseráveis com uma só curva rápida e precisa; quando senti seu perfume doce espalhado pelo ar amaciar meu ânimo; desci o braço com força em arco, mas levemente torcido, acertando suas cabeças com as costas e não com o fio.

-- Obrigada. -- disse.
-- Eles deveriam ser adoradores de você, e não dessas porcarias de lâminas.

Checou seus pulsos e as contusões. Quando se satisfez, voltamos pelo caminho por onde viemos; triângulos de busca são sempre dispostos no fundo de uma verredura como aquela.

Dobrando pela General Polidoro para alcançar a rua da Passagem reconhecemos um tema familiar sendo assobiado por uma figura sentada no balanço do pequeno parque que dá acesso à paralela mais para adiante. Ninguém se atreveria a assobiar aquele tema; nos aproximamos.

-- Você quer matar sua mulher dos nervos?

Ela se senta no balanço ao lado e toma impulso olhando o infinito. O medo que me deixasse já atingiu o extremo, passou, e se transformou em uma agonia familiar e constante.

-- Claro que não. Se você está aqui, deve ter umas roupas.

Trocamos. Ela pôs uma peruca ridícula e um chapéu.

-- Vamos tomar uma cerveja ali na esquina.

Disfarçados, sentamos em um botequim agradavelmente vazio, e discutimos o trabalho de edição do último romance do Sábio. Ele é bom escritor mas nunca teve paciência para lidar com editores.

Eventualmente Sofia ligou; estava convenientemente "escondida" em uma loja de flipper na Gávea.

Quarta-feira, Novembro 09, 2005

Intimidade, Redux

[consoante 1] Bom descanso.
[consoante 2] Valeu coisa linda. :*** bons sonhos
[consoante 2] _|_
[consoante 2] <pica>

Terça-feira, Novembro 08, 2005

Intimidade

-- (Conselho sobre alguma situação.)
-- Eu sei. Tô só fazendo meu show pra você entender minha indignação.
-- Ah, sim, de fato. Eu também não consigo evitar esses comentários de grande sabedoria. No fim das contas, nosso papo é preenchido pelo que é de praxe.

Guarda-Chuvas

Os guarda-chuvas estão conspirando contra a minha saúde.

Provavelmente ficaram sabendo uma certa minha opinião sobre como os guarda-chuvas são uma fonte da discórdia entre os homens.

Descendo a Uruguaiana em direção ao meu mais novo restaurante favorito, levei várias guarda-chuvadas. Na cara! Minhas habilidades ninja não foram suficientes, por fim os evadi completamente andando pelo meio da rua.

Sábado, Novembro 05, 2005

Kung Fu

Meu kung fu foi elogiado.
Eu preciso de bem pouco mais que isso pra ser feliz.
(Isso na verdade vai dar uma crônica legal sobre... enfim.)

Terça-feira, Novembro 01, 2005

Poesia

a punheta bem batida
pela mão do punheteiro
faz o sangue correr depressa
e o braço ficar ligeiro

Estrofe de "Menina, Te Amo Tanto", de músico anônimo.