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Quinta-feira, Setembro 29, 2005

Família

Hoje eu matei aula pra levar meu irmão mais novo pra beber.
Pode me chamar de escroto, mas família é pra essas coisas. :-D

Quarta-feira, Setembro 28, 2005

Ética I

O site do Ethics Research Center define ética como sendo:
Padrões de conduta que guiam decisões e ações, baseados em deveres derivados de valores fundamentais.
Pode-se dizer então que a Ética se pergunta O que devemos fazer?

Esta é uma excelente pergunta, não? Estou intrigado por essa palavra, ética. Com sorte alguma coisa concreta vai sair da minha cabeça nos próximos dias.

Quinta-feira, Setembro 22, 2005

Referendo 2005-10, I

Vamos deixar claro que eu vou votar não porque não me agradam as proibições.

Porém, nos pondo na perspectiva de planejadores sociais, quase illuminati, o artigo... aliás, como alguns ainda não estão completamente inteirados, é preciso observar: nós não vamos deliberar publicamente sobre o Estatuto do Desarmamento.

O Estatuto do Desarmamento está em vigor desde 2003. O capítulo sexto, Disposições Finais, contém o artigo 35:

Art. 35. É proibida a comercialização de arma de fogo e munição em todo o território nacional, salvo para as entidades previstas no art. 6o desta Lei.
§ 1o Este dispositivo, para entrar em vigor, dependerá de aprovação mediante referendo popular, a ser realizado em outubro de 2005.
§ 2o Em caso de aprovação do referendo popular, o disposto neste artigo entrará em vigor na data de publicação de seu resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral.

O Referendo que haverá em Outubro será portanto realizado para que se cumpra esta lei, e decidirá se o artigo 35 entrará em vigor ou não.

Retornando então, nos pondo na perspectiva de planejadores sociais, quase illuminati, o artigo 35 do Estatuto do Desarmamento, que propósito cumpre? A diminuição do número de mortes por arma de fogo, ou a diminuição da violência?

As estatísticas básicas são dados por este estudo do Ministério da Saúde.

Ele contabiliza no ano de 2004 entre as mortes por arma de fogo 201 acidentes, 1223 suicídios, 32889 homicídios e 1778 mortes por "intenção indeterminada". Todos os valores estão em queda desde 2003, sendo que o Ministério da Saúde calcula uma queda de 8% no número de óbitos por arma de fogo no país como um todo.

Em 2003, entrou em vigor o Estatuto do Desarmamento. Em 2004, entrou em atividade a campanha de recolhimento de armas: o Ministério da Justiça calcula que em um ano foram recolhidas cerca de 350 mil unidades.

Qual é o significado disso? Conclusões apressadas podem ser tiradas, mas observe como este sujeito abre os números. Acompanhe a indicação do impacto da queda no número de homicídios em São Paulo e como esta queda afeta a média nacional. Como o sujeito pergunta, o que exatamente aconteceu em São Paulo?

Acrescentando um ponto à sua crítica, suponhamos que encontremos um número significativo de mortes por arma de fogo que não se deram por atividade criminosa (como assalto à mão armada ou assassinato). Argumentemos então que o desarmamento da população diminuiria significativamente o número de mortes por estes outros motivos. Mas para prever este efeito, devemos perguntar: quantas destas mortes foram causadas por uma arma registrada?

O argumento do Partido do Não é um, e somente um: o problema brasileiro é um problema de armas ilegais; tornar a comercialização de armas de fogo ilegal não impedirá que pessoas que tenham armas ilegais tenham armas e as utilizem do modo como já as vem utilizando.

Quarta-feira, Setembro 21, 2005

O Mau Texto

Só vou conseguir me divertir com bons livros, bem escritos. Não óbvios, cheios de clichês e medíocres.

Só me enfadonho com a mediocridade, com textos ruins. Isso sim é que acabam de vez com a minha diversão de ler.

Estas são citações soltas de um comentário perdido no Multiply. É difícil discordar: quem dirá Eu adoro um livro ruim! Mas certamente tenho que pôr a minha pergunta favorita, saída do gabarito genérico da Série "Tons de Cinza": a partir de onde um livro se torna ruim?

Quando você começa a escrever e se familiariza com a tarefa de se expressar em texto, se familiariza com toda uma... dificuldade de tradução. É claro que estamos falando de textos que têm a pretensão de possuir ao menos algum valor estético: a tarefa de redigir monografias de ciências exatas existe praticamente em um outro universo.

Hoje, certos tipos de texto ruim me intrigam, são proveitosos de se ler. Não posso dizer que tenha atingido uma tal iluminação que vá apreciar porcarias como o Codigo da Vinci; mas certos outros tipos de obras onde se pode identificar que o autor fez uma tentativa concreta em expressar algo que ele considera importante.

Creio que esta última qualidade, a de o objeto do texto ser algo que o autor considera importante (ou assim percebemos durante a leitura), é o porquê um texto, mesmo ruim, pode ser proveitoso. Eu diria que um texto é ruim, nesse sentido, quando falto ao autor a habilidade, ou uma quantidade maior de habilidade, para expressar o que lhe interessava expressar. Seja suspense, seja fascínio, seja estupefação, seja beleza, ou impressões fortes nos sentidos.

Se essa idéia não é pertinente a um processo de seleção de compra quando estamos em uma livraria, porque certamente há mais excelentes autores para ler do que tempo disponível, ela surge quando você interage com pessoas que escrevem.

Ler histórias e contos de pessoas que talvez não sejam tão próximas, mas estão suficientemente fisicamente próximas para falar de lugares e situações conhecidos, é intrigante. Por trás de uma péssima metáfora há um curioso interesse específico; por trás de um erro em lógica, talvez um ingênuo entimema, há uma simpatia ou uma tendência; às vezes de uma má analogia que faltou só um pouquinho surge uma conclusão que quase faz sentido, e você aprende como é fácil escapulir da estrada tortuosa dos raciocínios.

Se os clássicos da literatura são perfeitos para delinear as qualidades arquetípicas do Ser Humano, a mediocridade na Internet é perfeita para delinear as qualidades típicas do ser humano, aquele que está por aí nas ruas, ocupando a cidade de vida.

Domingo, Setembro 18, 2005

Filosofia

Sempre achei difícil entender exatamente o que é um filósofo. Me senti muito mais tranqüilo a respeito dessa incapacidade quando descobri o Sofista de Platão (que eu não li, só descobri que existe). Bertrand Russell diz que a Filosofia não é tanto algo que um filósofo é, quanto algo que ele faz.

Esse fim de semana foi um fim de semana de Filosofia. Fui a Niterói passar um tempo com uma Amiga de nome apropriadamente grego, conheci o atual sortudo, e começamos à uma da tarde com pizza, cerveja, o problema da Administração e da Liderança, e a Ética sob o ponto de vista da sua interferência nos que te rodeiam e a quem você ama.

Com a digressão inevitável para as artes marciais e outros assuntos meio nerds, pois, afinal, estávamos em Niterói.

No meio da Noite em São Francisco, nesse um bar bom lá, surgiu Sofia na conversa. Sofia é um centro gravitacional para certos assuntos que não são exatamente Ética, mas que são assuntos de O Quê Fazer: curioso porque domingo, em Pendotiba, ouvi da minha tia Elizabeth histórias bizarras sobre o ensino do Gay Lussac e discuti o problema da educação dos filhos. Ela me perguntou sobre o Santo Agostinho e eu contei um pouco sobre o Alfa.

Para que não se tenha a má impressão que somos todos cultos e elegantes, é preciso atentar para a cerveja que foi derramada, para o Heavy Metal, para o consumo irracional de cachças de má qualidade, para cochilos e encoxadas de embriagados aleatórios, e para a leve e inocente fofoca básica da night.

Houve um certo consenso perto do fim da noite de sábado sobre a necessidade de se acumular os Recursos necessários para legar aos filhos uma boa vida, mas eu estava já enjoado e o meu corpo não me deu a oportunidade real de desenvolver a questão Que Recursos Acumular, que retornava ao tópico da pizza de mais cedo, o tópico que eu coloquei como sendo o Meu Problema A Resolver, Como ser Líder? considerando que o bom Líder é bom Estrategista, e um bom Estrategista é bom Estrategista porque sabe o que fazer com os Recursos.

No fim, revi bons amigos, pessoas que me encontram raramente e me recebem sempre como se fosse a coisa mais natural, revi outros, variados, tipos de amigos, tive boas conversas, tomei uma boa cerveja, e o bolinho de bacalhau estava ótimo, e fiz pessoas rirem e se sentirem bem e fiquei feliz.

Fin.

Sexta-feira, Setembro 16, 2005

O Mal

Eu penso muito no Mal. Uns três contos escritos sobre o Mal, histórias sobre uma espécie de pós apocalipse, não decidi bem ainda que tipo de apocalipse, mas uma versão fudida do Rio de Janeiro, que força as pessoas a enfrentarem problemas reais, conflitos primitivos entre os corpos, então esse sujeito descobre e explora facetas desse Mal no qual eu fico pensando.

Não sei ainda o que fazer com essas histórias, elas não são legais. Acho que as vezes escapa pro texto uma nomenclatura meio Star Wars, porque às vezes eu penso no Mal dentro desse cenário de ficção e então passo a falar em Sith e o caralho.

Houve essa discussão uma vez, creio que já veio parar aqui, estava conversando com meu camarada G. (que por sinal não se lembra de nada, não entendo por quê):

-- Eu penso muito no mal.
(duh)
-- Olha, eu cheguei a uma conclusão sobre o mal.
-- O que você concluiu?
-- Que o mal sempre é algo que você faz porque você pode.

Os Gregos estavam preocupados com a forma do Bem. Ao menos, depois de Sócrates. Já eu, estou preocupado com a forma do Mal. O que é exatamente o Mal? Você pode definir o que é mal sem envolver uma sensação ruim? É possível chamar algo que só faça com que as pessoas se sintam bem de mal?

Uma tentatica: se entupir de uma bebida alcóolica traz uma boa sensação, porém é uma coisa má. Por quê? Por que é ruim a longo prazo. Ou seja, a longo prazo, te faz se sentir mal. er.

O que se pode dizer então? O Mal é o que se quer evitar. Quando acontece o Mal, alguém se fode, se não todo mundo. Se ninguém se fode, não se diz que houve o Mal. Nem sempre que alguém se fode se diz que houve o Mal: não é mau da parte de um time vencer outro em competição.

Me ocorre esta cena muito tocante em X, quando a guria hacker que acompanha os dragões da terra está descendo o taco de beisebol metafórico na cabeça da guriazinha dos dragões do céu enquanto pergunta Por que, se nós somos mais evoluídos, não podemos dispensar a morte a outros homens, do mesmo jeito que os homens fazem com os outros bichos, e os bichos com os bichos, e tudo o mais? e a pobre não sabia o que responder, é realmente uma pergunta difícil, e, desconcertada, lutava mal e porcamente. No fim do combate, vá ver, não vou contar, a hacker desce do computador e diz pro companheiro, um cara meio fora do ar, Essa pergunta não tem resposta, não existe motivo porque dizer não, e o sujeito retruca, Bem... não se deve fazer isso, porque certamente alguém ficaria triste.

Não consigo encontrar uma saída para este beco. É tudo realmente sobre nós nos sentirmos bem, ou mal? A questão do Bem e do Mal é essa, de Sentirmo-nos Bem e Sentirmo-nos Mal?

Se é assim, a substância de que o Bem e o Mal são compostos é a Empatia.

Quinta-feira, Setembro 15, 2005

Sofia

[Vamos quebrar o clima de rancor por um instante. Sim, a culpa é toda sua.]

Querida Sofia,

você não existe ainda. Esta é a maior beleza em te escrever: você é uma possibilidade no meu futuro.

Uma possibilidade que eu desejo muito. Sofia, o meu interesse pela minha própria vida vêm diminuindo, com o passar do tempo. Já não me importo tanto quanto antes com o meu futuro, que parece traçado: o que eu vou estar fazendo, meu padrão de vida, tanto faz.

Mas, entre outras coisas, sobre as quais em breve te contarei, uma paixão que ainda me motiva é você, meu sonho, minha filha. Escolhi seu nome, Sofia, dos Gregos; mais sobre isso depois.

Me perdoe se você que está lendo este diário é meu filho; não se chateie por ele ser endereçado a uma menina chamada Sofia; fique feliz por que seu pai, aos vinte e três anos de idade, não está fantasiando com um homem, e que com sabe-se lá que idade não perdeu a razão e pôs o nome Sofia em um menino. Apesar de que a mãe dos meus filhos certamente me amarraria com uma corda antes de me permitir fazer tal coisa; ou assim espero.

Este diário é sobre esperança; e minha primeira esperança é que efetivamente o termine. Por que eu sou egocêntrico, egoísta, imodesto, imoral, inconseqüente, irresponsável, indisciplinado, mal educado, mal humorado, mal barbeado, e generalizadamente maligno. Com um pouco de sorte, este meu projeto será cumprido até o fim. Por que ele é muito importante para mim.

Veja, Sofia, que eu ainda não conheci sua mãe (ou assim suponho) e me é fácil encontrar tristeza no mundo. E há tanto para se encontrar. Bastante em mim, também.

Escolhi para você um nome, Sofia, como ícone do presente que realmente estou trabalhando para te entregar quando você estiver comigo. Construir este presente para você é agora uma das metas da minha vida. Um Nome que escolhi para mim mesmo há alguns anos se mostrou perfeitamente apropriado para este fim.

Todo pai anseia por que seus não cometam certas coisas que eles chamam de Erros e normalmente seus filhos chamam por outros nomes, normalmente mais agradáveis. Pais anseiam por Proteger seus filhos, atitude que seus filhos descrevem por outros nomes, normalmente menos agradáveis. Pais, em sua ânsia, se desesperam por fazer a coisa Certa, mas curiosamente não perguntam aos seus filhos que coisa é essa, por suporem que a resposta para esta retórica questão é óbvia.

Não é.

O mundo é o que é: ele não vai gostar ou desgotar de você; vai te perguntar O que você me oferece? e vai tomar esta oferta e retornar o que for barganhado friamente. O mundo não é mau por isso. Ninguém tem a obrigação de gostar de você. Isso te fará sofrer e perguntar Por quê e chorar Eu quero tanto!

O que eu desejo para você, minha filha, é que mesmo então saiba olhar para o Outro com compreensão; mesmo que a alternativa de sua escolha seja golpeá-lo com toda a força, comprenda-o, compreenda como ele é uma forma de Certo; de modo que você seja capaz de tomar suas decisões com firmeza, e ser verdadeiramente feliz com a vida que se lhe apresentar.

Incidentalmente, eu desejo que a juventude brasileira de sua época ainda tenha o português tal que este diário seja agradável de se ler, ou ao menos inteligível; desejo que ainda hajam vogais em abundância, e pontuação.

Você terá a oportunidade de me conhecer melhor na continução destas linhas. Por hora, estou feliz por ter já tido esse tanto para te dizer.

Eu te amo.

[O resto vocês podem ler daqui a algumas dezenas de anos, a critério da então proprietária.]

Segunda-feira, Setembro 12, 2005

Intermission

Fui parar no Multiply por força das circunstâncias. Quem estiver por lá me adiciona se quiser manter contato; agora que o Orkut foi bloqueado aqui na empresa, eu ando por lá nas horas de maior tédio.

Com sorte, vai começar em breve um joguinho de RPG aos domingos em Nikity.

Estou tentando sustentar o melhor que eu posso o Modo de Contenção de Despesas pra pagar umas duas ou três viagens a São Paulo que eu pretendo fazer até Dezembro e a cerimônia de passagem de nível em Outubro. Acho que só vai dar pra fechar o mês na conta certa (porque uma conta do mês passado vazou pra esse mês).

Não estou conseguindo ler o Zaratustra de Nietzsche até o final. É muito chato. Pausei o Umberto Eco pra ler o Gatilho Cósmico do Robert Anton Wilson e depois o Anticristo. Vou esperar até conseguir uma cópia da Genealogia da Moral pra voltar a chamar Nietzsche de chorão.

Deveria ter ficado com os ornitorrincos de Eco. Acho que depois vou reler a História do Pensamento Ocidental (ou sei lá como é o nome exato) do Russell e depois procurar Berkeley e Hume, que volta e meia surgem nas minhas conversas eu acabo sempre citando citações.

Totalmente Mundo de Sofia.

Minha família está se multiplicando rápido e após uma longa série de mulheres nasceu o primeiro homem da geração. Sendo Marcia o piso da minha geração, pras bandas de lá temos Maria Elisa, Andréia, Mariana, Alice, Luiza, Beatriz e Miguel. Coitado, vai ter que aturar seis sijeh... Sem contar os primos e tios pra zoar Miguelito el Ratón.

Esse fim de semana, peguei sol na piscina. (gasp!)

Vamos ver, vamos ver... Esse fim de ano se eu for ninja o suficiente vou a Macaé ver o FEMIPA (Festival Mirim de Poesia) da Escola Alfa. No meu último ano lá, ganhei o primeiro prêmio com um poema de cinco linhas chamado Solidão. Não sei mais onde está a plaquinha. O poema tinha um jogo maneiro de palavras, mas eu só me lembro mais ou menos dos dois últimos versos:

mas, talvez, no vazio
a solidão seja minha única companhia

...então voltemos à programação normal. Eu tenho uns contos, vou escolher um, e digitar; um negócio sentimental lindo, lindo; e as crônicas de sempre (sic).

Quarta-feira, Setembro 07, 2005

Crônica: Portão de Embarque A, e outros assuntos

Uma rodoviária vazia é um lugar deprimente. É a visão do fracasso: um lugar cujo propósito é levar pessoas daqui para lá, sem as pessoas.

Não que houvessem poucos ônibus, ou que todos estivessem vazios; mas por algum motivo o lugar estava quieto, com espaços enormes sem ninguém ali, e onde havia alguém, havia um ou outro. Só.

Ou então pense em um engarrafamento na estrada. Estou eu, aqui, no fundo do ônibus, lugar ideal na minha opinião porque a chance de se viajar sozinho é alta; o ônibus está parado; olho para fora e a paisagem é aquela mesma, não há movimento; estou em um ônibus, cujo propósito é ir de Curitiba a Florianópolis, mas de todas as coisas que estou fazendo, sair do lugar não é uma delas.

Que seja possível que o propósito não seja cumprido nos trás para o chão, a cruel face da realidade. Mais cruel que meramente perseguir o objetivo errado, como um que se fazia misantropo:

-- Eu odeio gente.
-- Que é isso, rapaz. As pessoas são legais.
-- Um bando de idiotas. Odeio sair, e ficar rodeado de pessoas vazias.
-- Porra, nem todas as pessoas são vazias.
-- Ha, há anos que não conheço uma pessoa que não fosse totalmente vazia.
-- É claro, há anos que você mal sai de casa.

Ora porra.

Ou então escadas rolantes em shoppings quando estão paradas. Sempre me trazem um sorriso à boca me lembrando de tempos mais moleques no Rio de Janeiro.




E há os micro choques culturais.

-- Companheiro, infelizmente eu preciso de um banho.
-- Hahaha... É, eu sei... Com esse frio, é difícil, né?
-- É, mas, fazer o quê.
-- Bom, água quente na torneira esquerda, é só regular.

A palavra "só" nesse sentido acaba sempre sendo ícone do sarcasmo da vida, o que é "só" sempre sendo de uma complicação dos diabos.

Chuveiro elétrico é uma dificuldade. É preciso decidir entre quanta água e quanto calor. Com aqueles buraquinhos pequenos de onde a água não jorra, esguicha, a superfício do seu corpo nu se localiza inteiramente no espaço vazio estando a água concentrada toda no topo da sua cabeça, descendo por um filete miserável correndo no meio das suas costas. Então você gira loucamente sofrendo as conseqüências da sua falta de habilidade em deslocar o tal filete para a parte específica do corpo que você quer lavar.

Curitiba me ajudou a cumprir a tarefa que mamãe me deu:

-- Filho, vê se acaba logo com esse vidro de perfume.

Cada nova família que você visita é menos uma frescura com comida manchando o seu curriculum vitae. Sentar à mesa e comer aquela gororoba branca com um nome diferente é muito mais fácil com a inspiração que te dão os parentes dos teus amigos ao redor, que parecem achar aquilo muito natural.

Terça-feira, Setembro 06, 2005

Vive la Resistance

Enquanto isso, na sala de justiça...

(21:28:28) P.: Já tem porta guardanapo aí?
(21:31:11) [R]: HUAHUAHAUHAUAH!!! NNNÂÂÂÂÂOOOOOOOOOO! tudo menos porta guardanapo!! HAUHAUH!!
(21:31:28) P.: hahahahahahahahahahaha
(21:31:34) P.: Resistance is futile
(21:31:41) [R]: iiiiiiaaaaaaa rapá a [L] já quis me dar um Hamester váááárias vezes! sem falar no porta guardanapo!! HAHAA!!
(21:31:51) P.: You will be assimilated
(21:31:52) [R]: Sure!! Viva la resistance!!
(21:31:57) P.: All your base are belong to namorada.