Segunda-feira, Julho 25, 2005

Crônica: Portão de Embarque Número Três

Sinto a ansiedade como uma substância injetada no meu sistema, que se propaga para todos os órgãos e membros impregnando os sentidos locais de uma sensação turva, de indistinção; o coração aperta, uma dor oposta àquela dor aguda de uma faca toma conta dos músculos, uma ânsia estranha surge em lugar nenhum ou em toda parte, e por fim a apoteose de um vazio irreconhecível culmina no desânimo total.

Não faço idéia do que está acontecendo, não tenho problem algum com aviões. A mocinha morena ao meu lado está me chamando a atenção com os olhos, mas estou em outra. Não estou no portão de embarque errado, como estava da última vez, voltando de São Paulo. Minhas mãos estão tremendo.

Suponho que um número de expectativas está liberando toneladas de adrenalina por toda parte. Vou rever pessoas com quem não me encontro há anos. Vou para terras desconhecidas sofrer um frio extraordinário para quem vive em terras tropicais.

Viajar é libertador, não só porque você tem todo o tempo do dia para descansar, mas porque você tem todo o tempo do dia para mergulhar em paisagens e costumes alienígenas ao seu estilo de vida. Mapear uma cidade nova, observar outros tipos de fisionomias, ouvir outro tipo de sotaque, conhecer outras formas de beleza, enfim, estar fora do seu normal.

Meu vôo vai atrasar pelo menos meia-hora, mas estou bem equipado. Esses jornais não são páreo para o meu livrão grosso. Comprei um toca-CD portátil em antecipação aos longos períodos de solidão durante a semana.

Solidão é uma palavra que normalmente evoca uma sensação ruim, "não quero isso", mas não é o caso. Sou um turista urbano: gosto de tomar uma condução ao centro comercial da cidade e andar entre os prédios de escritórios e as lojas; ver as pessoas trivialmente nos pontos de ônibus ou na fila dos bancos.

Pensar essas coisas me faz relaxar. Não me lembro bem de Curitiba, estive lá há dez anos. Há lá quem não me vê há pelo menos quatro.

Talvez haja sim uma ansiedade, nascida da expectativa de viver uma viagem glamourosa, de ter os momentos fantásticos que suponho irão esgotar a minha própria saturação com a banalidade, o tédios dos eternos mesmos problemas. Porém, como era de se esperar, certos problemas viajam comigo, e vão onde eu vou; me aborrecendo até em um salão de embarque de aeroporto, enquanto espero meu transporte terminar de taxear.

Domingo, Julho 24, 2005

Curitiba I

Nós seres iluminados que nos movemos livremente pelo contínuo da sincronicidade temos todos os benefícios e conveniências que se possa imaginar: hospedagem contingencial, e amigos trabalhando numa lan house.

Está bem frio, mas não venta tanto, e as roupas que comprei estão se mostrando suficientes. Calças jeans já não seguram tão bem.

Tive umas ansiedades estranhas esperando o vôo no Galeão. Ainda não tive oportunidade de alcançar meu caderno e escrever, espero que não se perca. Daria uma boa crônica, Portão de Embarque Três.

As atualizações com o Bal foram cômicas. É impressionante como as coisas por aqui são similares às coisas lá no Rio. Roberto vai adorar.

Ainda não consegui tirar fotos; só Juju tirou, duas fotos minhas na Rua 24h. Sim, há uma rua cujo nome é "24h". Adivinha o que tem lá.

Espero conseguir fazer algumas entrevistas para a minha pesquisa; aqui em Curitiba há alguns esquisotéricos interessantes cujas opiniões quero colher.

Amanhã à tarde vou passar algum tempo sozinho passeando pela cidade; já manjei alguns lugares onde suponho que o capuccino seja aceitável; estou me sentindo literário, creio que vá produzir bem.

Viajar sempre me faz introspectivo. A companhia aqui está sendo muito invigorante nesse sentido.

Sexta-feira, Julho 22, 2005

Passagem comprada.

Meu vôo para Curitiba sai do Galeão às 20h.

Sabedoria do Século XXI

Olha, depois de 23 anos de intenso e concentrado debate mental com todas as minhas outras personalidades, fantasias, pesadelos, e versões imaginárias de amigos, parentes e agregados, cheguei finalmente a uma conclusão.

Não é o corpo que é uma ilusão. É a mente.

Acredite, todas as pessoas que estão certas sempre concordam comigo.

Quarta-feira, Julho 20, 2005

Aniversário

Hoje o meu nickname original, Thoth, faz sete anos de registro no Nickserv da (antiga) BrasIRC.

Sexta-feira, Julho 15, 2005

:-(

Minha viagem foi adiada. :-(

Quinta-feira, Julho 14, 2005

Férias

Pensei muito, e decidi mesmo viajar.
Portanto, sábado dia 16 vou vazar e só volto segunda dia 25.
Vou trazer muitos escritos, fotos, e gravações para os mais íntimos.

Quarta-feira, Julho 13, 2005

Cacarecos!

Comprei, finalmente, um headset!

(E um teclado insano, pequeno, e com umas teclas em lugares diferentes.)

Já registrei um usuário no Skype para usar em casa, e estou testando o GnomeMeeting.
Quem estiver usando Skype, fala comigo quando eu estiver em casa.

(Na verdade eu também uso o Skype no trabalho, mas, nada de bagunça, né.)

Terça-feira, Julho 12, 2005

Em breve, férias

Que maravilha. :~

Queria viajar, mas não sei pra onde ir.

A propósito.

Daniel, cadê o blog?

Segunda-feira, Julho 11, 2005

mndfck.org

Este fim de semana houve um downtime para atualização do sistema. O conteúdo deve estar quase todo restaurado, faltando um ou outro trecho do backup para retornar ao lugar original.

As possibilidades tecnológicas são maiores agora; vamos ver que tipo de coisa a gente se interessa em fazer.

Quarta-feira, Julho 06, 2005

Então...

...achou o que estava procurando?

Por que eu não.

Segunda-feira, Julho 04, 2005

Os Desanimados

Se chateando onde nenhum carioca jamais se chateou... :-(

Anima Mundi!

PORRA! Esse ano eu vou estar de férias durante o Anima Mundi!
Acabei de descobrir! É alegria demais em muito pouco tempo!

Crônica: O Desânimo

[Esse manuscrito eu mostrei pra Equipe, e disseram que a minha letra é uma merda ininteligível. :-(]

O desânimo é o inimigo dos sábados à noite. É um inimigo à altura de qualquer bar, qualquer boite, e só não é páreo para aquele tesão especial que sobrevive ao Falou, galera, e explode em um quarto de motel.

Há quem acredite que o desânimo vence até ali, mas não sou assinante de Post coitum, animal triste.

A equipe d'Os Desanimados conhece a fundo o desânimo e o explora em serus vários ângulos e possibilidades.

Vê quando chega um pessoal novo no bar, quando vocês já estavam lá. Não se pode falar exatamente em desânimo, mas, há um silêncio que vem. Os que chegam soltam logo o gás de Ié, é noite, E tal, enquantos os presentes se entreolham.

Até alguém recomeçar o assunto, vê-se os ombros soltos, os olhos rolarem ao redor. É triste.

Ou então, no evento de anime. Depois da primeira volta ao redor da quadra, onde acontece o desinteressante jogo de cartas, o glamour se dissolve na percepção impactante que Não há mais o que fazer. Todos os outros ao redor, pulando e cantando como em um dos primeiros filmes animados com som da Disney, só fazem o incômodo crescer.

O desânimo domina aquele momento a dois após o moço pedir e a moça recusar. Quando o sujeito propõe e ninguém aceita. Quando cadeiras começam a aparecer empilhadas nas mesas ao redor. O fim está próximo.

A equipe d'Os Desanimados, ao contrário do que o nome sugere, nem sempre dá chance ao desânimo.

Quando o último bar do sábado fechou, saíram determinados a encontra outro onde continuar. Encontraram um iluminado, mas não aberto. Encontraram um nem iluminado, quanto mais aberto. Partiram decididos para o supermercado 24h mais próximo, e compraram um pack mais salgados. Puseram a cerveja no congelador.

Metade da equipe caiu no sono logo em seguida. A outra metade virou vendo vale-tudo na esperança de aparecer o Sakuraba.

Patético.

Domingo é o dia santo do desânimo. O dia oficial da ressaca. O dia em que a revolta contra o desânimo encontra como resposta Pô, amanhã eu acordo cedo. O dia em que os pais voltam pra casa e você lembra da zona que deixou na sala.

O dia de lavar aquela louça toda que o porre do dia anterior te fez esquecer.

É claro que o pensador zen de plantão observará que sem o Desânimo não observaríamos o Ânimo, num lance Yin-Yang sábio e solene. Mas pensadores zen de plantão num domingo a essa hora são tão autoridade sobre a natureza do ânimo quanto padres celibatários sobre a união carnal do homem com a mulher.

[Em breve o diário fotográfico d'Os Desanimados será iniciado na Internet.]

[Sim, eu prometi ficção. Eventualmente sai.]

Domingo, Julho 03, 2005

hm

Tá, de hoje não passa.
Mesmo que apenas divague de maneira chata, esse domingo não vai passar sem algum escrito novo.

E com algum azar, ....

Sexta-feira, Julho 01, 2005

MOMIX

Cara, o MOMIX foi um espetáculo e tanto. Difícil de descrever: o jogo de cena, com uma iluminação especial, e os bailarinos com roupas com trechos totalmente negros, permitia uns mosaicos compostos de corpos que se moviam das maneiras mais incríveis.

Mamãe definiu a música como "um primeiro momento, Pink Floyd; depois, Vangelis".

Eu me senti como se observasse cientificamente a vida alienígena em um planeta distante.