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Quinta-feira, Março 31, 2005

Teoria?

É uma furada? Vamos parar de blá blá blá, e agir? etc.?
Compreenda por quê pensar é útil.

"(...) tanto as circunstâncias desviantes como as orientantes constituem o complexo não codificado dos fatores biológicos, dos eventos econômicos e das interferências externas que aparecem como o quadro inevitável de toda relação comunicativa. Constituem eles a presença da 'realidade material' que flecte e modula todo processo comunicativo. Neste ponto, não resta senão perguntar (como já se fez em Eco, 1968) se o processo comunicativo é capaz de desfrutar as circunstâncias nas quais acontece. Ou seja, trata-se de indagar se a circunstância pode tornar-se elemento intencional do processo de comunicação. Se é a circunstância que orienta para a individuação dos subcódigos à luz dos quais se devem escolher as interpretações possíveis das mensagens, devemos perguntar-nos se, em vez de mudar as mensagens ou controlar a sua produção, se pode mudar-lhes o conteúdo, atuando sobre as circunstâncias em que serão recebidas. É este um aspecto revolucionário da empresa semiótica, e numa época em que as comunicações de massa aparecem como manifestação de um 'domínio' que provê mensagens, para o controle social, talvez ainda seja possível mudar as circunstâncias de recepção para mudar as interpretações do destinatário. Trata-se do que em outras obras chamamos GUERRILHA SEMIOLÓGICA. (...)"

O quê? Leia denovo.

Terça-feira, Março 29, 2005

Herói

Este filme mexeu profundamente comigo.
Está em cartaz no Brasil; ao menos no Rio de Janeiro, no Estação Botafogo.
(E na sala 1, que é muito boa.)

É uma fábula sobre a unificação da China, e conta a história de um herói apresentado ao Rei de Qin como tendo vencido três lendários assassinos.

Your game and your rules...

Largo-sensei. ^^

Domingo, Março 27, 2005

Crônica

Quando cheguei na civilização, ou algo próximo, ainda estava dormindo. Acordei com o barulho de malas arrastadas e mochilas puxadas, e um sujeito lá na frente dizendo alguma coisa. Não estava entendendo lhufas e por isso não dei atenção. Olhei para fora e vi uma pequena plataforma, com bancos de madeira e uma penca de gente basicamente parada. Deve ser algum terminal rodoviário no meio do caminho; não me interessa. Me ajeitei na cadeira mas não voltei a dormir.

O ônibus recomeçou sua viagem com metade dos passageiros faltando. Pude observar a cidade. Curiosamente, o nome do lugar para onde eu estava indo era parte do nome de lojas e aparecia em cartazes anunciando festas ou alguma promoção. Que coincidência. Comecei a ligar para o meu conhecido e nada de ele atender. Maravilha.

A cidade não tinha um prédio com mais de dois andares. Por cima das casas, uma floresta, e a serra. Há muito tempo não via uma paisagem dessas; todo esse ar puro vai me matar.

Quando o segundo terminal rodoviário apareceu, após um trecho de matagal, o ônibus não fez sinal de dizer chega, e concluí que estava perdido. Porra, vou saltar aqui mesmo. Reparei no terminal da Normandy dizendo "Rio de Janeiro" e pensei que na pior das hipóteses podia simplesmente voltar pra casa. Nada de o sujeito atender.

Sentado ali, tentei ler um trecho do Umberto Eco, mas ao som do profeta político local me deixei enlevar por pensamentos desagradáveis no meio dos quais a semiótica simplesmente não se sentia bem. Me pus a admirar uma lourinha sentada no banco da frente tentando ignorar esse sujeito. Uma cena triste.

Os prédios baixos, os carros velhos, e a ausência de asfalto me puseram a pensar em coisas mais agradáveis. Ou talvez tenha sido o silêncio repentino do profeta político local. De qualquer modo, me senti bem, ali naquele lugar desconhecido. Temporariamente desconhecido: logo um ônibus chegou ao terminal e aprendi o nome da cidade. Como era de se esperar, não era para onde eu deveria ter ido. Logo consegui tomar um outro ônibus indo a Miguel Pereira. Intermunicipal a um real. Com direito a bilhete. Uma viagem mais curta que de Botafogo ao Leblon.

Nada de telefone.

No terminal rodoviário de Miguel Pereira, curiosamente similar ao primeiro terminal rodoviário onde parou o ônibus, no início da minha história, tive mais oportunidade de admirações e pensamentos, mas dessa vez sem uma lourinha, ou uma morena, ou qualquer mulher agradável. A vegetação era muito bonita: muitas flores de variadas cores, violeta, amarela, azul. Vim a saber depois que a cidade tem um bordão, A cidade das rosas, o que me pareceu sem sentido, considerando que havia visto de tudo, menos rosas. Uma metáfora de algum tipo. Ou outra figura de linguagem qualquer.

Cidades pequenas tem o seu charme. Aposto que mesmo passando o fim de semana aqui em uma pousada perdido do Fulano, ainda assim deve ter coisa suficiente pra ver o fim de semana inteiro. Nessse espírito, e de saco cheio daquele terminal rodoviário morto, saí para explorar.

Explorei até uma esquina e deparei com um restaurante. Meu espírito exploratório deu lugar à fome e entrei pra almoçar. Um buffet bem mais ou menos com garçonetes bem simpáticas. Estava vazio, e toda aquela gentileza me lembrou um certo shopping center impopular em Niterói onde os garçons só faltam colocar armadilhas pra capturar clientes.

Ou talvez simplesmente seja o caso que o atendimento no Rio de Janeiro é tão ruim que qualquer garçonete simpática é uma surpresa. Enfim.

Almocei um almoço que fazia bastante esforço para chegar à razoável, e passei para a cerveja. Ainda não passei mal, o que é um bom sinal. Depois que o espírito exploratório voltou à tona e comecei a pensar em como conseguir uma pousada para, ao menos, recarregar o meu molecular, o diabo toca e é meu amigo já alcoolizado pedindo variadas desculpas. Percebi que havia passado muitas horas naquela brincadeira, mas ainda assim não estava chateado. Vou terminar essa garrafa e arranjar um jeito de chegar no tal clube.

Era perto dali, fui à pé. É tudo perto, aqui.
Todos esses carros devem ser só por diversão.

[And now, for something completely different...]

Quinta-feira, Março 24, 2005

Eloqüência @ U.S. of A.

Requiring developers to undertake the job of warning people from every stupid, idiotic thing they could possibly do comes from the mentality that the smart are expected to protect the imbeciles from the forces of Darwin, and results in the insulting warnings on nearly everything you buy these days. "Don't eat the dessicant packet" couldn't do a thing for anyone young enough to put random things in their mouth. Anyone old enough to read that should deserve whatever happens to them if they should try to put random things in their mouth.

Me lembra as instruções daquela moto-serra, que diziam "Atenção: não pare com as mãos ou genitália".

Horóscopo

O Príncipe está no caminho do prazer; o intelecto puro e sem direção está atrás da clareza de percepção como uma lâmina d'água cristalina que permite a visão do entendimento vindo das profundezas; através da aplicação habilidosa da Arte ele percorre esse caminho.

Três impulsos vindos de onde não vê o movem nesse caminho: um impulso próximo para o estabelecimento do poder, que o levará a um orgulho ambíguo; um impulso para a busca da ciência plena que, nesse caminho, só pode levá-lo à ruína; e um impulso distante para a realização concreta da fagulha de energia mais pura, o único impulso que o levará com retidão à Rainha dos seus desejos.

Quarta-feira, Março 23, 2005

Uma Cervejinha Típica

-- Ô, Chicão, pega uma pedrinha gelo aí pra minha cerveja!
-- Como!?
-- Não reclama, vá, só pega!

Meu deus!

Fui ali tomar uma cervejinha mas não estava a rapaziada de sempre. Meu camarada me informa que havia algum aniversário sabe-se lá onde. Teria ido embora se seu espírito empreendedor não houvesse me oferecido ali na lata uma... lata.

Fiquei.

Como eu já imaginava, não se encontra camaradagem por falta própria. Ali no churrasquinho cada um que senta é mais um para conversar.

-- Toma aí, dez. Está certo, né?
-- Mas a latinha é dois.
-- Ué. Pensei que fosse dois e cinqüenta.

Desgraçado me cobrou extra no dia do show do Lenny Kravitz e nem percebeu pra quem tava vendendo! Mas isso foi no final.

Ali no churrasquinho junta todo tipo de gente. Pra dizer a verdade, fiquei espantado com a qualidade da passarela, digo, calçada. Mas isso já é outra história. Hoje só tinha balzaquiana ali estacionada. Que papo surreal. Consegui até dica de tintureiro pra resgatar meu blazer.

O Chicão e a Maria são muito bons de conversa. É uma excelente estratégia pra fazer você sentar ali e tomar a sua cerveja. Eu, que ando fascinado pelos outros ainda mais que nunca, me interessei pelas pessoas que estavam ao meu redor. Basicamente, as balzaquianas. Uma estava com a filha no Maraca fazendo cobertura para uma rádio; soube que vai de camarote, e volta na vã da rádio bem segura. Flamenguista, ela. É isso aí!

Uma rapaziada pára e pede churrasquinho. Um camarada chega e diz Boa noite a todo! e realmente olha pra todos; sei porque olha também pra mim, e eu só estive ali até hoje pra me juntar a uma certa rapaziada especial que está lá *quase* sempre.

Nós somos um povo maravilhoso, o carioca. Ao menos os que freqüentam o churrasquinho.

Terça-feira, Março 22, 2005

Animecon

O Animecon este ano já está com data marcada, de 22 a 24 de Julho.
Já está agendado!

Segunda-feira, Março 21, 2005

Crônica (hm...)

[Sem diálogo desta vez. Gomen.]

Já há mais de três anos desde que encontrei uma coisa que procurava neste mundo; hoje é uma das minhas maiores fontes de força; talvez a maior.

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A lua está particularmente bonita hoje. Está crescente, como apropriado. O céu da serra é tão mais limpo que o da cidade... Estar mais perto do céu é atravessar um véu que oculta metade das estrelas.

Este é um hotel de convenções de negócios, pequeno; /business/ é parte do nome. Curiosamente apropriado para nosso tipo de organização de eventos. Está à beira de uma lagoa. Ver uma lagoa me lembra os tempos de Vivendas, mas essa já é outra história.

O lugar é solitário. Ruas vazias, prédios sem movimento na distância, casinhas silenciosas no horizonte. Estou adiantado e não há ninguém comigo.

Observar a lua faz minha mente formar pensamentos difusos; por fim começo a sonhar acordado. Mas isso não acontece: estar com minha família me enche de energia, uma energia densa, que aumenta minha gravidade me trazendo mais próximo da terra. Estou aproveitando os últimos minutos de solidão sentado na beira da piscina admirando um gramado extenso e quieto além das grades que delimitam a área do hotel.

A animação da celebração de aniversário vai me tirar da melancolia, mesmo porque meu crachá de imprensa implica certas responsabilidades. Enfim.

-- O que me fascina é o estudo do ouvir; ouvir o outro, entender o que ele está te oferecendo.
-- Acredito que seja uma representação perfeita do contato íntimo entre dois seres humanos, como um penetra o espaço do outro e ambos se conectam.
-- É um laboratório do relacionamento.

Estes são meus irmãos e irmãs; com eles, o tempo nunca fecha, é impossível se entediar.

É a primeira vez em meses que ouço o som dos grilos; para mim, o signo auditivo do silêncio. Estranho, não?

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Foi necessário um longo tempo para reconhecer que o havia encontrado. De início me sentia ridiculamente desconfiado.

Para mim, era artificial, rápido, sucinto, insincero demais. Uma pergunta sobre o bem-estar ou conforto. Uma oferta. Uma conversa rápida sobre o correr da vida. Quem é você para ser tão gentil comigo? Somos desconhecidos. Desconhecidos não se tratam assim. Só porque temos esse relacionamento, então? Não é artificial e automático?

Não consigo traduzir aquelas sensações em um discurso que imite o sentido superficial que tinham na época; só um texto absurdo faz sentido. O que esperar, então? Que estado místico inalcançável é esse da intimidade? Por que é um absurdo que duas pessoas se façam íntimas naquele momento? O que é necessário para que o sejam?

Não é verdade que o meu maior incômodo é justamente a separação inicial? É um incômodo ridículo em quem garante a que essa separação se faça e perdure. De modo que, após tê-lo encontrado, tive que reencontrá-lo, desta vez em mim.

É uma experiência incrível estar com minha família. Mesmo os mais jovens são imbuídos, como que por empatia, ou pelo próprio impulso original que os levou a nascer, dessa qualidade receptiva.

Neste fim de semana ouvi uma irmã mais velha ralhar comigo por não tê-la cumprimentado ao vê-la passando nas redondezas da universidade; ouvi a história dos interesses e experiências de um sobrinho no mercado de ações, bem como conselhos sobre uma questão particular; aconselhei uma irmã mais nova quanto a uma sua insegurança; conheci o estado do mercado de trabalho de um irmão na sua cidade de origem e muitas nuances da vida por lá; aprendi histórias do Núcleo Central; ouvi confidências; enfim. Muitas das pessoas que compartilharam momentos íntimos me foram apresentadas no dia; muitas dessas pessoas se apresentaram, simplesmente, ou me apresentei a elas. Gentilezas pequenas, gestos de carinho, favores espontâneos, correndo soltos como se nunca estivessem sido presos.

Acredito que, fundamentalmente, as pessoas sejam assim. A sensação dessa experiência me trás a memória muitos bons momentos de abertura que tive com outras pessoas, algumas vezes recém-conhecidos; mas na minha experiência esses momentos são poucos. Nos prendemos para nos proteger, proteger um bem que consideramos escasso, que temos medo de desperdiçar ou perder; ao mesmo em que buscamos desesperadamente obtê-lo do outro com uma fúria tão intensa que o leva a propagar o ciclo, fechando-se por sua vez; ou com condições tão severas que a troca emperra em um impasse.

Meus irmãos chamam a esse bem o *zelo*, o bem que mais têm para si e mais cultivam; são tão poderosos e ricos que o distribuem a todos, com generosidade, sem restrições, até mesmo a funcionários de um hotel. É nossa missão declarada espalhar essa riqueza por toda parte.

Eu tenho outro nome para esse bem, e foi esse nome que demorei a encontrar.

[Essa foi mais uma ode que uma crônica. Amo vocês.]

Sexta-feira, Março 18, 2005

Hiato

Sairei do Rio de Janeiro dentro de poucas horas para Minas Gerais, onde o clã Moy Yat Sang vai comemorar o aniversário de sigung Leo. De sorte que talvez não dê para colocar uma nova "crônica" em dia.

Vou levar papel e caneta, é claro; sem papel e caneta eu não sobrevivo. Então talvez eu traga algumas histórias da minha família. Vou ter tempo para meditar, também; tendo visto o final de Vision of Escaflowne hoje, talvez saia daí algo triste.

E com certeza, fotos! Vou tirar uma boa foto de mim mesmo com o uniforme. Eu adoro esse uniforme. :-D

Quinta-feira, Março 17, 2005

Ver

Pela milionésima vez li, após uma notícia de violência em algum lugar aleatório do país, uma nota sobre a população exigindo que a legislação seja mais rigorosa.

Acredito que nenhuma mobilização nesse sentido será eficiente enquanto não se compreender que nós não estamos com falta de leis. Estamos com falta de aplicação de leis.

Menores em São Paulo agem de maneira violenta sem comedimento. Resposta da sociedade? Eliminar as proteções aos menores.

Em uma inominável reunião em casa de amigos, ouvi este dizer que a solução para o problema da violência urbana no Rio de Janeiro é entregar à polícia o poder de subir os morros e matar os bandidos. Entregar à violência institucionalizada o poder de se exercer por intuição.

-- Mas como se diferencia um bandido de um morador?
-- Ah, a polícia sabe.
-- Sabe como?
-- Ué, ela tem serviços de inteligência que sabem dessas coisas.
-- Então, o serviço de inteligência aponta o dedo, e a polícia já pode sair atirando?
-- É. Assim acabam os bandidos.

É claro.

Ontem estava com a rapaziada em Botafogo tomando uma cerveja à beira da rua da Passagem. O carro do camarada está todo aberto com o som ligado, e um sujeito pàra ali perto olhando pra nós. L. se assusta e diz Fulano, vai lá fechar o seu carro, olha o sujeito ali parado olhando. Eu digo Não precisa se preocupar, nós estamos aqui, E daí, Daí que nós estamos vendo. Mas e se ele estiver armado? pergunta.

Se ele estiver armado, tanto faz que nós estejamos olhando ou não, e tanto faz se o carro está aberto ou não.

O que me trás ao seguinte ponto: nós, civis, não temos o poder imediato de combater a violência, pois não temos o poder de cercear o veículo de sua existência, a saber, o bandido. Minha imaginação fértil consegue imaginar um exército kung fu armado até os dentes, mas infelizmente se isso fosse viável, seria contra a lei. E então teríamos que lutar também contra a polícia.

O poder que temos para combater a violência é o poder de selecionar, de quatro em quatro anos, os líderes do executivo, e de pressioná-los ao longo dos seus quatro anos de mandato. Esse poder se manifesta principalmente sob a forma da ameaça de não-reeleição e da migração geral da intenção de voto para outros partidos.

Mas existe um outro poder que nós, civis, temos, imediatamente disponível, e concretamente efetivo: o poder de ver. Por incrível que pareça, os procedimentos do executivo, do legislativo ou do judiciário não são uma caixa preta. Mesmo se incompreensíveis, são visíveis. Conhecíveis. Lembráveis.

Com todos os outros fatores desconsiderados, uma rua mais iluminada têm menos criminalidade do que uma rua menos iluminada. Uma câmera de segurança diminui a criminalidade, mas uma câmera de segurança não pode interferir no veículo do crime, a rigor, o corpo do criminoso. "Hackers" (assim chamados) roubam na Internet porque se supõe invisíveis.

O conhecimento prévio da proposta do atual presidente da Câmara, Fulano Severino, de aumentar o salário dos deputados permitiu uma enxurrada de e-mails de protesto contra esse absurdo, alertando aos legisladores do fato de nós estarmos vendo; a proposta não foi nem mesmo votada.

É fato que um aumento houve, sob uma outra forma, mas é inegável a pressão. É preciso então mantê-la. É preciso continuar olhando e exibir o fato que estamos olhando. É preciso lembrar, então, do que vimos no momento de selecionar os novos integrantes do legislativo. É preciso, ao reclamar, reclamar especificamente. Chamar pelo nome. Apontar o dedo e dizer Você fez isso.

Acredito que uma mudança fundamental nas engrenagens da administração pública só acontecerá quando uma força civil surgir para ver e lembrar. Acredito que a liderança civil hoje não pode mais ser feita por uma intelectualidade que teoriza e conclui, mas por uma tecnicalidade que examina, categoriza e exibe. A discussão sobre a "forma" da luta, para mim, termina aqui. Tenho fé que já há trabalho nesse sentido acontecendo nesse país. Infelizmente não vou participar dele por enquanto.

Amizade

Hoje foi um dia particularmente excepcional.

A sensação de amizade, de um modo geral, têm aparecido de maneira extremamente confusa nos tempos atuais. Ao contrário da noção típica carioca de "tempos atuais", não estou falando de dias, mas de meses.

Hoje tive a sensação concreta de amizade de onde não esperava, depois de uma quantidade de tempo sem a sensação de amizade de onde esperaria.

Finalmente consegui tomar um café (e incidentalmente comer um sanduíche) com uma amiga dos tempos idos de colégio. Na verdade, nos tempos idos de curso de inglês, mas são os mesmos tempos. A encontrei aleatoriamente num dia de Dezembro sábado de manhã (se não sabe, não pergunte) quando peguei seu telefone. Não acreditei mesmo que fôssemos tomar esse café, e quando combinamos, achei que fosse ser aquele reencontro, digamos, sem assunto.

Mas simplesmente conversamos. Sobre coisas. É o que eu chamo de conteúdo. Havia. Me surpreendeu. Eu gosto dessa pessoa.

Então saí de lá pra Botafogo e passei ali no churrasquinho. Estava lá a rapaziada de sempre. L. estava de porre; inétido pra mim.

E todos me cumprimentaram. A questão não é ser reconhecido, é contato. Empatia. Cerveja também, mas não foi muita. Não senti qualquer expectativa hoje. Só gente, ali, comigo. Foi concretamente bom.

Vou apertar o publish antes que mude de idéia.

Segunda-feira, Março 14, 2005

Enquanto isso...

...fritei na UERJ hoje.
Kyoo wa totemo atsui desu ne....
Mas que lugar infernal.

Ao menos o meu protótipo de projeto final foi bem aceito pelo meu orientador.
Mamãe está saltitante, feliz e contente.
Menos uma carga de problema nas minhas costas. (Insatisfação de mãe pesa.)

Por fim, minhas compras inconseqüentes de DVDs podem ser, bem, inconseqüentes, mas fazem sucesso: Marcia passou umas cinco horas direto hoje vendo The Vision of Escaflowne até o final.

Domingo, Março 13, 2005

Crônica?


o sol me acorda
e ainda é cedo
eu fico logo de mau humor...
a minha cabeça tá rodando;
de onde é que vem esse tambor?


Levanto de súbito, como se saído de um transe. Bem, a rigor, eu de fato saí de um transe. Não sei o que pensar; o que está acontecendo? Ih, puta que pariu, perdi meu treino.

Sento na beira da cama, desolado. Ao levantar uma dor aguda toma conta do meu cérebro, como se em represália à violação do seu direito mais sagrado, o de ficar parado onde estava. Imagino se o álcool não está lentamente apodrecendo os meus miolos.

Olho pro relógio: 14:30. Puta que pariu, passou a hora de tocar, se o pessoa me ligou eu estava muito ferrado no sono pra acordar com o barulho do telefone.

Mas peraí. O que eu estava fazendo ontem? Pausa. Longa pausa. Levanto a cabeça. Dói. Vou precisar de um galão de água pra limpar todo esse álcool do sangue; de todo aquele vinho branco vagabundo daquela festa. Pois é, aquela festa de ontem foi maneira; bebida liberada e tal. Porra, hoje não é domingo, é sábado!

A alegria resultante me impulsionou a levantar de uma vez da cama, o que foi um erro estratégico dada a disposição do meu cérebro em me punir pelo mínimo deslocamento. Penso em água denovo.

Fui até a cozinha e preparei uns copos de guaraná natural. Passo a manhã inteira pensando em água, chego na cozinha, e bebo guaraná; e assim vão e vem os desejos humanos. Coisas doces são boas pra ressaca; se bem que, a rigor, bom pra ressaca é aquele vinho branco vagabundo da festa de ontem; o guaraná, bem doce, é bom pra MIM.

Recapitulando, a noite anterior foi boa. Algumas amigas da L. vieram me cumprimentar espontâneamente, o que é um bom sinal. Porém, elas estavam trêbadas. O que não é sinal de porra nenhuma.

Como eu cheguei em casa? Essa pergunta sem resposta sempre desencadeia um mal estar incurável. Por que desde uma certa vez em que eu gretei, ou fui grosseiro, ou algo do gênero, com uma namorada, sou perseguido pelo pesadelo de fazer merda enquanto bêbado.

Na verdade, um número de coisas que eu faria sem remorso (e sem perdão) sóbrio eu consideraria uma cagada categórica enquanto bêbado. Por que enquanto bêbado as palavras, bem como todo o resto, saem completamente tortas, distorcidas, ou retorcidas, deu pra entender.

Além disso, como não tenho completa lembrança do que aconteceu, estou à mercê do relato de terceiros. Já tive a oportunidade de ouvir sobre todas as coisas horríveis que eu fiz bêbado em uma noite em que eu não estava tão bêbado assim e me lembrava perfeitamente como a história estava pela metade. É um absurdo como se abusa de um cara bêbado. Entenda como quiser.

Mas não é só ficar desmemoriado, totalmente ou parcialmente. Qualquer lembrança de uma noite ébria é difusa e esparramada, por assim dizer, por um espaço mais largo do que eu. Não sou eu, realmente, é alguma outra coisa. Daí, retornando ao fazer merda, a sensação constante de ter soltado as amarras de um MONSTRO sobre as pessoas de quem gosto é cruel.

Não me pergunte que monstro, porque eu não sei. Já o vi solto um número devezes; já ouvi histórias sobre ele; o encontrei duas vezes em viagens insólitas introspectivas onde apareceu como uma besta violenta protegendo um lugar escuro. Não me deixava entrar, e não queria conversa.

Comecei a beber nessa quantidade, que por sinal já diminuiu consideravelmente, como comecei a fumar: queria me sujar todo, e depois me lavar, depois sujar tudo denovo, e ver no que dá esse processo todo. Descobre-se coisas interessantes: eu paro de fumar mais fácil que paro de beber. Eu posso passar sem fazer algo bastante tempo, mas em uma noite consumo uma quantidade inconseqüente bem rápido. Essa é a pessoa que eu sou.

Mas já não me interessa tanto a pergunta Quem sou, não faz mais sentido; nas busca por perfurar maios e mais até uma verdade oculta no centro da profundidade, esqueci o círculo cada vez mais amplo de verdade exposta no limite da circunferência. Agora, estou procurando a verdade de mim nos outros. Não existiria eu sem ela.

E pra isso eu preciso beber menos. Não adianta muito descobrir uma coisa interessante e não se lembrar dela no dia seguinte. Sem contar a porra da dor de cabeça. Alguém tem uma aspirina?

[Next week: dialog! Subarashii!]

Quarta-feira, Março 09, 2005

Plebiscito sobre a Proibição de Porte de Armas de Fogo

No post de 11 de Fevereiro de 2005 neste blog há uma explicação de porque você deve votar não à proibição do porte de armas de fogo no Brasil.

Para quem ainda não manjou o lance dos links, alguns títulos de posts aqui são links. Dá pra diferenciar pela cor.

Um Brinde à Introspecção

Já que estou em fase literária, e desta vez não tive vergonha de publicar, vou aproveitar para selecionar algumas experiências mais antigas. Este aqui é, por mais irreconhecível que possa parecer até mesmo para quem conheceu na época, um exercício sobre o poema que eu escrevi para o festival de poesia mirim da minha oitava série.

O nome do arquivo é Eu e Ele.


Empurrei-o.

A brisa forte e fria penetrava minha pele e esfriava meu sangue. A luz no horizonte lentamente enfraquecia na batalha contra o crepúsculo, aquela escuridão que desce inexoravelmente mesclando os objetos, tornando-os indistingüíveis, até que não resta nada. A indiferença tomou conta do meu corpo, a irrelevância manchou a minha mente, e por um segundo contemplei todo o tempo que passou.

Tive-o, sim, por um longo tempo; ora guardava-o, ora deixava-o displicentemente em um lugar qualquer; às vezes perdia-o, para logo depois o reencontrar; esquecia-o maldosamente, o maltratava, e então o tomava para mim, meu; o exibia, uma maravilha, como todos deveriam entender.

Ele foi tão meu, que eu fui dele; o exibir era como ser; deixá-lo, um impulso irrefreável, tomá-lo de volta uma obsessão. Um raio mínimo se configurava à sua volta, e eu girava e girava ao seu redor, daquilo que era meu, exibindo-me, uma maravilha, como todos deveriam entender.

Tê-lo tornou-se a vida, tê-lo tornou-se tudo; lentamente escapava à minha visão sua forma, e à minha consciência seu ser; nossa dança contínua inebriava os sentidos, alimentava a fornalha da locomotiva furiosa do tempo. Sua textura, uma revolta; seu contato, uma agulha; sua superfície o espaço onde travava-se a batalha entre um ir e vir falso, ilusório, pois estávamos ligados, eu e ele.

Pois ele era meu, e eu me tornei dele.
Tanto meu, e tanto dele, que desapareceu para mim, mesmo estando ali, comigo, sempre; e quando o deixava, displicentemente, ou o esquecia, maldosamente, realmente eu me deixava, me esquecia; e após fugir, circulando e circulando, o reencontrava, e o retomava, angustiado, retomava a mim mesmo; mas não o via, e não via a mim.

Foi com um grito desesperado que corri e corri até o crepúsculo descer sobre a luz no horizonte, aquela escuridão que turva a visão e mescla os objetos, tornando-os indistingüíveis; uma indiferença tomou conta do meu corpo, a irrelevância manchou a minha mente, e empurrei-o; empurrei-o com toda força no abismo; e observei-o, naquele penhasco, perdido, esquecido, indistinto na escuridão, enquanto eu caía e caía e caía sem nunca encontrar o chão.

Chorei, e minhas lágrima foram uma chuva invertida que regava aquele céu negro.
Então o silêncio.

Abuso de Poder

Sim, eu sei que é uma imprudência, mesmo com a maravilha que é a compra a crédito parcelada a juros, mas eu não consegui resistir.

Estão a caminho:


  • Revolutionary Girl Utena: Rose Collection vol. 2

  • The Vision of Escaflowne: Perfect Collection

  • The Vision of Escaflowne: the Movie



Se por um lado é um gasto de dinheiro, por outro vai me ocupar tanto tempo no fim de semana que eu vou economizar dinheiro.

Terça-feira, Março 08, 2005

Uma Teoria da Mentira?

"Na verdade, o projeto de uma disciplina que estuda o conjunto da cultura, resolvendo em signos uma imensa variedade de objetos e eventos, pode dar a impressão de um arrogante 'imperialismo' semiótico. Quando uma disciplina define como seu objeto próprio 'tudo', reservando-se assim o direito de definir por meio de seus aparatos categoriais específicos o universo inteiro, o risco é assaz grave. A objeção mais comum oposta ao semiólogo 'imperialista' é: "Se até uma maçã é um signo para você, então a semiótica se ocupa também de compotas -- mas o jogo não está mais valendo". O que este livro pretende demonstrar, atingindo as próprias bases e os próprios títulos nobiliárquicos da mais veneranda tradição filosófica, é que, do ponto de vista semiótico, não há qualquer diferença entre uma maçã e uma compota de maçã, de um lado, e as expressões lingüísticas |maçã| e |compota de maçã|, de outro. A semiótica tem muito a ver com o que quer que possa ser ASSUMIDO como signo. É signo tudo quanto possa ser assumido como um substituto significante de outra coisa qualquer. Esta outra coisa qualquer não precisa necessariamente existir, nem subsistir de fato no momento em que o signo ocupa seu lugar. Nesse sentido, a semiótica é, em princípio, a disciplina que estuda tudo quanto possa ser usado para mentir.

"Se algo não pode ser usado para mentir, então não pode ser usado para dizer a verdade: de fato, não pode ser usado para dizer nada.

"A definição de 'teoria da mentira' poderia constituir um programa satisfatório para uma semiótica geral."

Da Introdução de "Tratado Geral de Semiótica", de Umberto Eco; tradução do italiano de Antônio de Págua Danesi e Gilson Cesar Cardoso de Souza.

Naturalmente que eu abandono com prazer meu próprio "projeto" para pesquisar essa interessante disciplina.

Por fim, uma citação obrigatória do Principia Discordia: Is the thought of a Unicorn a real thought?

Domingo, Março 06, 2005

Crônica

Deitei no chão de camisa e cueca. Ela estava sentada na cama lendo o jornal. Não sabíamos o que ver no cinema, e eu nem havia tomado banho ainda.

-- Agora você vai poder ver todos os meus erros e corrigir meus abdominais.
-- Ahn?
Suspiro.
-- Eu disse que vou fazer abdominais.

Oomph. Um.
Oomph. Dois.
Oomph. Três.
Oomph. Quatro...

-- Ó, vou te ensinar. Largou o jornal na cama e virou pra mim.
-- Você tem que respirar quando estiver fazendo força. Assim, ó.
Fez. Oomph.
-- Mas não era isso o que eu estava fazendo? O que eu fiz de errado? Estava relaxadão com a cabeça sobre as mãos, intrigado.
-- Não estou dizendo que você estava fazendo errado, meu bem... Estou só tentando te ensinar.
Ahn?

E falou sobre abdominais de um jeito, de outro; mexe uma perna pra cá outra pra lá, levanta o quadril, dobra pra direita, esquerda. Fiquei lá deitadão ouvindo aquilo tudo até ela levantar e ir tomar seu banho. Antes de ir se molhar voltou pra um último abdominal tão esquisito que mal me lembro onde vai o quê. Por fim, molhou-se lá. Reposicionei as pernas e continuei fazendo exatamente como antes. Oomph, um. Oomph, dois.

Não entendi lhufas do que ela disse.

O que se passa na cabeça das pessoas quando estão falando comigo? pensei. Quero dizer, com quem diabos ela estava falando? Por que comigo não era. Me senti como o veículo para um mundo de fantasia, onde ela discorria para legiões de interessados alegremente sobre um maravilhoso assunto totalmente alheio à minha existência.

Por que, cara, eu faço uns quinze ou vinte abdominais e acabou. Morri.

Tem vezes que eu me dou conta disso, não dos vinte abdominais, enfim, de súbito, estou falando com a guria, e de repente noto que o assunto é tão alheio à mim, me releva de tal modo, que é como se estivéssemos lá e tal, ela gemendo, se contorcendo, suando, Sim, sim, mais, mete mais, assim! É! e eu estou entusiasmado com a coisa quando percebo que ainda estou sentado na beira da cama, calça jeans e todo o resto.

Porra, se nem me relacionando estou me relacionado, porque eu tenho que dar a mínima pra relacionamento? Quero que se foda.

Já não basta aturar o contrário. Gente que diz pra você Nossa, você gosta disso? Cara, quem é você pra presumir do que eu gosto, e se espantar desse jeito? Daí você usa umas camisas pretas por uns tempos e o sujeito te convida pra leitura de poemas neo-góticos na casa dele. Tem tudo a ver contigo!

Argh!

Pessoas vêm dizendo há anos que esse mundo está perdido e ninguém escuta! Está perdido literalmente, ninguém consegue se encontrar. Todos vivem se esbarrando, metade te escuta e não te ouve, ou te ouve e não te escuta, sei lá, e a outra metade só fala qualquer merda, como se tanto fizesse você estar ali ou não.

Teve uma namorada pra quem eu disse Olha só, querida, do jeito que a gente está, eu vou deixar uma foto contigo pra você chamar de Namorado, porque tanto faz eu ou a foto.

Você vaga pelo mundo feito um fantasma. Vai ali, aqui, diz Isso sou eu, aquilo já nào, e é como se não fosse nada. Todos estão preocupados com Anjos, Evas, o Terceiro Impacto e a porra do mundo, mas você é foda-se, faz o que é certo, quem sabe você não ganha um tapinha nas costas, o quê? Você o quê? Não tou te ouvindo, mas escuta, o bom é fazer assim, faz aquili que você vai bem, quem sabe Asuka não passa um dia ou dois sem te chamar de idiota.

Daí ninguém entende porque todos os eus por aí gostam de ficar numa boa sozinhos, quem sabe ouvindo um Bach, sem ninguém pra perturbar. Se você me disse Todo mundo precisa de companhia eu te desafio a me arranjar uma. Botar uma guria sentada do meu lado é fácil, dá até pra conseguir por um preço módico. Agora, companhia mesmo? O caralho. Entenda como quiser.

Estava lanchando quando G. me falou Cara, eu não tou mais procurando conteúdo, Gulp, Vai com calma aí, doido, Porra, o que eu tou dizendo é que conversa séria só com uma meia dúzia tipo que nem você, Pois é, rapaz.

Esse negócio de escrever em blog está sendo pra mim como suar, você está lá correndo feito desesperado atrás de alguma coisa, todos aqueles rotos existindo como se estivessem com você e ao mesmo tempo como se você não estivesse lá, e você se esforça, tenta, tenta, e sua pra cacete. E não entende lhufas do que está acontecendo.

Meu primeiro suadouro existencial foi esquisotérico. Ainda compro os bons autores e ganhei ali boa parte da minha linguagem e interesse pelos seres humanos. Mas 90% é um absurdo idiota. Você tem o caminho espiritual, a verdadeira vontade, a magia prática, as permutações da cabala, a comunhão da deusa e do deus, rapaz, que loucura, e eu, onde eu entro nessa história, o que essa porra toda tem a ver comigo?

Não exalte seu ego, meu filho, que você é só um monte de merda que não interessa aqui. Substantivos abstratos inatingíveis inomináveis são muito mais importantes.

Oquei. Se você tá dizendo.

Daí me vêm os negos que dizem que a religião é o ópio do povo, e começam a babar o papo da luta.

Não que eu pense isso desse sujeito em particular ou que o lance ali seja o lance aqui, mas, estava eu falando, ou ouvindo, sobre esse projeto no morro com o camarada me explicando que o imbecil do arquiteto fez o projeto com a planta errada e ficou tudo uma bosta.
-- E você queria que ele tivesse feito o quê, se o diabo da planta do morro estava errada?
-- Ele é um elitista, um idiota, não pensou na comunidade, nem foi lá ver como é a realidade!
Essa parada de realidade sempre me deixa de um jeito esquisito.
-- Tá, daí ele sobre o morro, olha lá, vê que a planta tá toda errada. O que ele faz?
É, aham.
-- Pois eu te digo, ele vai ao gerente dele e diz: meu chapa, imagina se ele vai dizer meu chapa, mas eu estava bêbado, então, meu chapa, essa planta tá toda errada, assim não pode, assim não dá. SE o gerente NÃO estiver cagando, literalmente ou metaforicamente, TALVEZ ele vá ao departamente de cartografia, SE houver um e aquele mapa do morro não for uma relíquia do império, e quando ele pedir um mapa novo lá TALVEZ eles façam, TALVEZ façam direito e TALVEZ façam a tempo. Cada um babaca desses tem mil motivos pra cagar, desde prazo, até desinteresse passando por falta de recurso e prazer mórbido. Não adianta pixar o arquiteto, que o buraco burocrático é mais embaixo.

Esse arquiteto me deve uma, salvei ele perante o movimento social. Mas eu acho um vacilo que de todas as minorias, ele seja a absolutamente menor.

E se não se presta atenção nem nele, porque prestariam em mim?

Sexta-feira, Março 04, 2005

Enquanto isso, na sala de justiça...

...estava lá o presidente, ou mestre de cerimônia, enfim, o sujeito que fica sentado no meio, dirigindo a palavra aos recém-formados bacharéis em Direito pela Cândido Mendes, até que solta a pérola da noite:

"Sejam severos, e não severinos."

Vamos lá, tudo pela moral, bons costumes, e segregação social!

Não resiti!

Mainardi Cobra - The strong arm of the press

Quinta-feira, Março 03, 2005

Souvenir

Sob uma porcaria de chuva escrota, voltando do almoço, vejo este camelô correndo feito louco sabe-se lá de quê.
Polícia não era, porque os outros camelôs só olhavam com cara de bobos.
No meio da Presidente Vargas o sujeito tropeça e deixa cair uma das plaquinhas de preço.
Já estava todo molhado mesmo, então parei, me abaixei e peguei aquele papelão escrito em verde: 4,99

Quarta-feira, Março 02, 2005

8-bit Theater

8-bit Theater tem os melhores diálogos!

<Dark Elf> You insignificant vermin! The guardian of marsh cave is here to smote you like you've never been smote before!
<Thief> But we've never been smote before.
<Dark Elf> Then my claim is a tautology! I'm philosophically invincible!

Eloqüência

It was like trying to explain that the French speak a different language to someone who is convinced that “different language” really just means “different dialect of English”.

O autor da pérola acima capturou a essência do que é um preconceito.
Acredito que a maior parte das pessoas que eu ouço pronunciarem a palavra preconceito em voz alta hoje sofre justamente desse mal.