Sexta-feira, Julho 30, 2004

O Presente e o Momento

Estava escrevendo essas coisas para mim mesmo; de repente percebi o quanto eu preferia guardar isso apenas para mim, e é justamente por isso que eu vou expor o mais abertamente possível. Este é longo. Se não está com paciência, eu sugiro deixar para depois.

Lembrar é sempre uma experiência interessante.
Surgem na imaginação cenas e estados tão familiares, mas por outro lado tão estranhos... Emergem coisas que certamente se passaram conosco, mas que estranho eu é esse, o eu de antes? Não se parece em absoluto conosco; não há outro eu além do eu de agora, porém, há muitos e tão diferentes eus de antes.

Muitas vezes sou esmagado por uma enxurrada de memórias que se poderiam dizer memórias dolorosas. Não faço a menor idéia do porquê, apesar de que me parece a resposta estar na ponta da língua. Também não faço a menor idéia do porquê de essas memórias serem tão dolorosas, e esse é um dos maiores mistérios da vida para mim.

Mas eu creio que há um mistério ainda mais interessante, que envolve justamente a questão que do início: quem é esse eu de antes que não sou eu? A lembrança do que já foi, e a experiência presente de que efetivamente se foi é terrível, e evoca demônios como Por que outra vez? Como outra vez?

É como quando se mente pela primeira vez, uma mentira poderosa; como se pode dizer, Confie em mim, com essa memória tão presente? Não me espanta que com o passar do tempo os mundos se encolham, as pessoas se diminuam em experiência, e não me espanta que a memória me doa tão mais quanto mais ele passe.

Houve quem me perguntasse Como pode você ser daquele outro jeito, se você é tão desse jeito, assim? Não pude responder outra coisa além de Não se engane; todos esses eus sou eu, inclusive aquele. Há quem selecione um dos eus para que eu seja, exclua os outros; selecione abertamente, secretamente; eu sou bem treinado para enxergar, de um modo ou de outro.

Mas não faz sentido para mim escolher, porque o presente é um só; por outro lado, é praticamente fatal que escolha, de um modo ou de outro, incessantemente, instante atrás de instante. Meus momentos mais recentes, há algum tempo, têm sido como ácido corroendo uma derme, ou como Eva berserker rasgando camada após camada de um A.T. Field estruturado (se você não entendeu, não pergunte); eu sinto que algo tão fundamental mudou que não me reconheço mais, não reconheço quem passou. Mas isso é ilusório, e certamente acabo por reconhecer, reestabelecer o continuum que é a minha história pessoal; ou talvez, a história pessoal de um algo de que eu sou um átomo no tempo.

O que me retorna ao objeto original da minha reflexão, o momento, e o presente. Acreditei, uma época, que eu estava vazando: como se eu estivesse escapando a mim mesmo, o tempo se esvaindo, e eu não sendo eu de tal modo que eu me escapava para fora, me perdia; agora, sinto que estou me escapando como se os limites do que sou eu estivessem largos. Dentro do que sou eu há tão muito mais; e por outro lado, tão muito menos definido. Isso tudo é muito abstrato e onírico, é claro; mas há um novo eu que eu ainda não conheço.

Não reconheço, em particular, quem está escrevendo agora. Mas não posso dizer que esse surgiu de uma hora para a outra. Me lembro de uma mesa de chopp com um irmão mais velho em que dizia, Vê que absurdo, aqui estou eu, pedindo ajuda, você imaginaria uma coisa dessas, e ele respondeu, Você é um ser humano como outro qualquer, apesar das aparências. Não reconheço aquele que estava pedindo ajuda na mesa (e ainda não sei o que significa pedir ajuda, como não sabia na hora; mas é como se diz por aí).

Se todas essas coisas são indefinidas, se o eu é tão descontínuo mesmo constatando-se alguma continuidade, então como podem se sustentar as idéias de ao-longo-do-tempo? Não é como planejar para o futuro, porque isso é calcular o que fazer no presente; é como viver, ou tentar viver, um agora que é o mesmo agora ao longo de muitos agoras; buscar a segurança de que esse agora é como o anterior, estamos como deveríamos; seguros? É isso, então, segurança? É tentador explicar, segurança, conforto, o mesmo mundo, conhecido. Mas não sei.

Este é o meu momento: as perguntas se tornaram nonsense. Toda uma dimensão de dor e de prazer se diluiu e não faz mais sentido, praticamente ao nível corporal. Até a minha próxima epifania, este é provavelmente o eu mais estável que se pode esperar: um eu sem respostas.

Quarta-feira, Julho 28, 2004

Y E A H

"YYZ", do Rush, é uma das músicas mais impressionantes que eu conheço.
Estou ouvindo agora do álbum Rush in Rio, e é ainda mais impressionante ouvir a platéia cantando a música.

Pérolas do Orkut, numbah eight

É...

Educação?

Uma série de artigos:

The Six-Lesson Schoolteacher

Review: The Underground History of American Education

The Underground History of American Education - no fim da página há um link para a versão online.

Não creio que o ensino que eu conheci no Brasil seja caracterizado por todas essas coisas, mas, é bom observar a catástrofe que acontece lá em cima e voltar o pensamento sobre os nosso problemas. Eu tenho cá a minha birra com a filosofia de ensino que conheci no CSA e na UERJ.

Terça-feira, Julho 27, 2004

Um pouquinho de proibidão pra vocês

na semana retrasada,
olh'o que aconteceu
meu amigo foi dá um rolé,
infelizmente faleceu


Tranquiliza aí, DJ, tranquiliza!

Encontros de Internet

Li recentemente um artigo reclamando do Orkut; não me lembro da linguagem exata, mas era como se chamasse aquilo de "prostituição da amizade".

Eu considero os encontros de Internet das coisas mais fantásticas que eu tenho pra fazer da minha vida. Esse tipo de evento escapa totalmente a uma primeira tentativa de entendimento: em completos desconhecidos surge uma motivação surreal de se encontrar e passar um tempo juntos, e de pouco tempo nisso surge um laço de firmeza praticamente inconsequente.

Creio que hajam motivos diversos contribuindo para esse fenômeno, mas um deles eu considero o tempero especial da coisa: encontros de Internet são a subversão quase total dos grupos sociais.

Digo isso porque, querendo ou não, o ambiente onde se habita, a rotina que se leva, e até mesmo o seu nível social, econômico, faz com que ao seu redor no espaço físico estejam certas pessoas, e não estejam umas outras. Essas outras você não tem como entrar em contato, e portanto nunca vai nem mesmo conhecer. Imagino grandes bolhas de pessoas se escorregando pelas bordas, escapando umas das outras.

Mas surge uma porcaria de fórum em um meio de comunicação relativamente acessível, e de repente todos esses elementos desaparecem: no mundo virtual, o eu é um treco ainda mais indefinido que no real. E então uma coisa tão irrelevante quanto o fato de morar no bairro de Botafogo, ou até mesmo não morar mas meramente estar participando do fórum do bairro de Botafogo, faz com que uma penca de gente que de outro modo não travaria contato nunca, se reúna e o resto é história.

Isso me lembra o canal #wicca da antiga BrasIRC, onde fui por um tempo o master. Daquele grupo eu guardo amigos até hoje; em especial, Gabriel e André, que estão sempre ao meu redor; André eu não diria tanto, porque afinal fui parar na Informática da UERJ onde ele era veterano; mas o que eu tenho em comum com Gabriel? O fato de ser aquariano, talvez? Temos coisas em comum, mas não é sobre o lado de dentro que eu estou falando, justamente o contrário.

Fórums de Internet que agrupam pessoas que aparentemente tem tudo a ver uma com a outra acabam por reunir gente que atravessa bolhas sociais bem distantes como se não houvesse nenhum espaço entre elas. É absolutamente fantástico. Só a diferença de idades que surge já é espantosa.

É tão fantástico que há quem mergulhe de cabeça como se não houvesse amanhã no mundo dos relacionamentos virtuais, e não quero dizer com isso participar de grande quantidade de eventos. Mas até mesmo um caso desses me convence mais ainda que essa loucura subverte, remexe por dentro rotinas e ambientes seguros e costumeiros que, lá no fundo, não interessam a ninguém.

Eu amo muito esses extremos. Paz, eu quero do lado de dentro; do lado de fora eu quero é muito barulho e confusão.

Segunda-feira, Julho 26, 2004

Desen no Almoço

Lá no Pobrão, mais ou menos assim:

<thoth> Cadê Osvaldo?
<sorriso> Osvaldo faltou hoje pra tirar o quinto siso.
<thoth> HAhwHAwhAhwHAwhAHwhAwh
<bruno> Só eu tenho desculpa pra faltar de bobeira; é só dizer que estou com problema de cálculo renal...
<thoth> É, tipo eu segunda passada, também faltei por causa de problema de cálculo.
<bruno> Você tem problema de cálculo?
<thoth> É. Cálculo IV.
<sorriso> AHwHAwhAHwHAhwAHwhAhwHA

São esses momentos que fazem a vida valer a pena. Tipo agora: corrigir bug é chato, mas está rolando Chemical Brothers no som comunitário. Quem sou eu pra reclamar? Êta vidinha mais ou menos...

Who is this doin' this type of alpha-beta psychedelic funkin'?

Pérolas do Orkut, numbah six, revisited

Não queria me repetir, mas não pude me conter...
Isso ia ser ainda mais bizarro que o encontro dos aquarianos...

Pérolas do Orkut, numbah seven

Esse perfil rolou lá na empresa em um dos momentos "perfil de mulher gata".
Rapaz, é isso que me faz repensar meu padrão de qualidade.
Reparem no about me da guria, onde ela menciona sua qualidade favorita no ser-humano...

E isso porque eu perdi aquele da guria que escreveu um poemeto no about me onde, em dado momento, surge um personagem a diser alguma coisa...

Psêa-kun diz que meu padrão de beleza é abrangente demais, mas, cara, isso tem razão de ser. diser é sinistro.

Domingo, Julho 25, 2004

'sa parada...

Eu preciso urgentemente economizar uma grana, mas não consigo largar a manguaça. É impressionante! Às vezes Bruno tem razão, e nós somos categoricamente alcóolatras.

Estou dizendo isso, mas não vou faltar à birita comemorativa do corte de cabelo do Gabriel. Só essa múmia mesmo pra comemorar uma porcaria de corte de cabelo.

A propósito, pra quem interessar possa, aqui estão arquivadas as fotos do segundo Orkontro (ugh!) da comunidade do bairro Botafogo, lá na Cobal. Eu me amarro nessa rapaziada. W00t!

A propósito, o Google está experimentando seu próprio serviço de listas de discussão, e eu criei uma lista para experimentar, mndfck-org. Galera que se lembra do espírito da Mindfuck Org. está convidada a participar...

Sábado, Julho 24, 2004

Eu quero...

...Pulp Fiction.

Er...

Não sei o que dizer.

Segunda-feira, Julho 19, 2004

Argh!

Mal acabei os critérios de convergência, e já estou de saco cheio!
E ainda tem horrores de séries de potências pela frente...
Alguém me ajude!

Pérolas do Orkut, numbah six

Para mais uma reportagem sobre os fenômenos bizarros do Orkut.

Me lembro de, não sei onde, talvez no blog antigo, enfim, comentar sobre o absurdo dos encontros online promovidos pelo Orkut, e que estava pra chegar o dia do encontro da comunidade dos aquarianos.

Bom, marcaram para o dia 24, em Ipanema.

Imagina um bando dessas porcarias de aquarianos tudo junto em um lugar só. Caralho. Vou arrastar Psêa-kun!
MAWHAhwHAwHAwhAHwHAWhHwHAwhHwHwHWhHWHHWHAwhHwHAW

Hum...

Parece que pode haver viagem afinal...
Pra coroar essa fase tenebrosa.
Macaé às vezes parece o playground da rapaziada.

Domingo, Julho 18, 2004

Pérolas do Orkut, numbah five

Cara, eu juro que quase me mijei de rir até a décima página.

Puta Que Pariu, I

Essa parada de ficar numerando tópicos está enchendo o saco. Juro que chega.
Mas cara, veja só.

Como assim, existe uma palavra para "uma pessoa que trabalhou como telegrafista para os movimentos de resistência ao domínio soviético nos países da antiga Cortina de Ferro"?

Sexta-feira, Julho 16, 2004

Pérolas do Orkut, numbah fouh

Essa comunidade foi idealizada pelos meus companheiros de trabalho.
Só eu tive a cara de pau de criá-la de verdade.

Quinta-feira, Julho 15, 2004

Ray-chan

Fiz 80 pontos no Friend Test, home!

Eloqüência, I

"Não sei como se lida com essa questão, a princípio creio que foda-se."
Eu sou demais.

Quarta-feira, Julho 14, 2004

Sobre Linguagens de Programação

Algumas vezes converso com colegas sobre variadas linguagens de programação.
Neste ensaio, no ponto 3, "A Language for Good Programmers", logo nos dois primeiros parágrafos.
Essa é a minha opinião.

Terça-feira, Julho 13, 2004

Life is Sucking

A very big whole lot.
Se algo entusiasmante não acontecer rápido, eu vou cancelar minha viagem e me enterrar em algum buraco esse fim de semana.
Só hoje, foram três péssimas notícias.

Segunda-feira, Julho 12, 2004

De molho.

Estou de molho até o fim do período na faculdade.
Estou com a corda no pescoço, para variar.
Estarei em Macaé no próximo fim de semana pra relaxar.

Sexta-feira, Julho 09, 2004

Orkontro? Putz!

A única coisa ruim de encontros de conhecidos pela Internet são os trocadilhos que se inventa pra batizar o evento. Tipo, IRContro, para as pessoas do IRC.

Encontro de conhecidos pelo Orkut é Orkontro.
Porra, pra mim, um Orkontro é um encontro de Orks.

Enfim. Fui a um ontem, vou a outro hoje.
Ontem foi encontro da comunidade do bairro Botafogo, hoje vai ser encontro da comunidade do bairro Flamengo.

Terça-feira, Julho 06, 2004

Um aparte.

Uma nota de rodapé, para esclarecimento.
De todas as coisas, eu não esqueço.

Sábado, Julho 03, 2004

You are on the way to destruction!

MAWAWAWHAHWHAWHAWHAHWHAWHAHWHWHwhhwhWHHWHAWHAHWhawhhawAW!!!!!!1

Imperdível!

A casa em Macaé está sem inquilino a vista!
Isso significa que eu posso fazer uma festa lá!
Doido, aquela casa é muito foda!

Dessa vez eu tiro quilos de fotos e foda-se a revelação!