Terça-feira, Junho 28, 2005

Fotos!

Revelei o segundo filme do ano hoje. Consegui trinta e uma novas fotos.

Não sou muito bom fotógrafo porque não tenho saco de ficar de plantão para tirar boas fotos... Mas eu adoro as fotos que eu tiro.

Fui surpreendido por sete fotos do dia em que fui ver o jogo do Brasil com os garotos de Macaé. As fotos me lembraram o momento: estava remexendo a minha pasta por algum motivo aleatório, quando tirei ali de dentro a câmera fotográfica. Foi uma coisa tão surreal, que eu puxasse uma câmera fotográfica de dentro da pasta, que todos começamos a rir.

Nas fotos, aparecemos rindo muito. Já estávamos alcoolizados, é claro.

Mágico!

Domingo, Junho 26, 2005

Er...

Eu sei, duas semanas já.
Quando eu entrar de férias prometo que vou recuperar o tempo perdido.

Sábado, Junho 25, 2005

Aniversário

Mamãe faz aniversário domingo, a festa é amanhã, mas a feijoada já está no fogo e o primeiro copo de batida de limão já acabou...

Eu amo a minha família...

Sexta-feira, Junho 24, 2005

Lar, doce lar.

Google Maps rulez.

Advoguês.

"Restou demonstrado o excesso na conduta do preposto da ré."

Puta que pariu!

Quinta-feira, Junho 23, 2005

Quero viajar...

...acompanhado. :-|

Minhas férias estão chegando e eu ainda não tenho certeza pra onde eu vou. Estou há anos prometendo uma viagem a Curitiba... Sei lá. Está frio.

Quarta-feira, Junho 22, 2005

Meu Sabre de Luz

Para aqueles de vocês que sabem o que exatamente eu ando fazendo, obsessivamente, com meu tempo livre, gostaria de comunicar que acaba de chegar pelos correios uma ferramenta equivalente a um sabre de luz.

Mês que vêm chega o Tomo do Lado Negro.

Segunda-feira, Junho 20, 2005

Vida

Vida? Deixa eu dizer uma coisa pra vocês sobre a vida:

BLLLLRFGH!

Ié.

Hiato

Fiz tanto esforço em escrever um conto de ficção de verdade, que, quando deu a hora de ir no cinema, não havia escrito nem conto de ficção, nem nada.

Como ainda há laboratório de Física e Álgebra Linear pra resolver...
Esse domingo ficou no vácuo.

Domingo, Junho 19, 2005

Álcool... Ou não?

Esse fim de semana me deixou transtornado no que tomei apenas guaraná sexta à noite, e uma boa taça de vinho sábado à noite, mas as noites transcorreram exatamente como sempre (para alguns valores de exatamente).

Sexta-feira, Junho 17, 2005

Responsabilidade

Essa semana comecei, finalmente, um plano de aposentadoria privada. \o/

Domingo, Junho 12, 2005

Crônicas Rapidinhas [ui!]

Às vezes eu não acredito nas coisas que vejo.

Há, ali na frente, observe que eu estou mais uma vez estacionado no Balcão de Informação, esse grupo de jovens, desses que surgem do nada de manhã.

A lourinha está em formação típica, braço direito cruzando a cintura, mão direita com a esquerda, peso na perna esquerda; perna direita, portanto, totalmente à mostra. Ar de tédio.

Então o sujeito, que não vou me dar ao trabalho de descrever, no curso do assunto, que não tenho a mínima vontade de conhecer, lhe passa o braço pelos ombros, e olha. Encontra, como de praxe, um rosto virado para o lado. A cena, na periferia do meu campo de visão, atrai minha atenção, e, penso eu, Opa.

Vê, a manobra inicial não determina muito: o braço vai, pousa, ela não rejeita, e agora é hora do próximo round, iniciativa dele.

O sujeito prossegue, então, para um full attack, o movimento inevitável, o único que o cérebro dele reconhece como alternativa: atravessa o cotovelo para lá do pescoço, dobra o antebraço pela frente, cruza o outro braço, erguido... e dá um MATA LEÃO NELA.

PORRA!




-- Cara, esquece isso.
-- Não dá! Não dá, porra! Que porra de Betão é esse, bróder!
-- Você não tinha nada que ter mexido na bolsa dela!
-- MERMÃO, você não tá entendendo a minha situação!

Não faço a menor idéia de onde vim parar, só sei que aceita o meu cartão e que dá pra pegar um táxi até em casa com a grana do bolso. Pensando bem, até que eu sabia mais ou menos onde havia ido parar.

-- Você nem sabe quem é o tal Betão.
-- Mulher minha não pode ter nenhum Betão!

Termino meu chopp. Já não me lembro o nome desse sujeito. Estava zanzando por aí, vim parar nesse bar. Era cedo e estávamos só nós bebendo sozinhos. Gosto de socializar, mas nem sempre dá pra suportar. Hoje dava.

-- Cara, mesmo que você estivesse certo, e você não está... Quando ela descobrir que você mexeu na bolsa dela, e ela vai descobrir... Você está fudido.
-- Se ela vier de merda eu mando logo tomar no cú! Que porra é essa de Betão! Vá tomar no cu!
-- Então dá o pé na bunda logo, cara. Mulher tua não pode ter um Betão. Manda tomar no cu.

...

-- ...não é por aí, cara.
-- Eu sei, companheiro. Eu sei.

O sujeito afunda na mesa. Dou um tapa amigo no ombro dele, levanto e vou pro balcão. Esse aí não vai render mais nada hoje.

O lugar é agradável; coberto, com mesinhas e cadeiras de madeira, meia luz; não posso evitar um lugar assim. As pessoas conversam em um tom médio, o zum zum zum é leve. E há um BAR, ao melhor estilo BAR, com o bar propriamente dito, banquinhos, e barmans malabaristas.

Peço uma tônica, afundo no tal bar. Não sei no que estou pensando. Acho que nada. Minha mente é um branco total. Já passei da fase de olhar as mulheres ao meu redor com ansiedade e pensar no que fazer. Não quero fazer nada mesmo.




Ou então veja este caso.

Há um casal de amigos de amigos que fez aula comigo. Estou, como sempre, morgando no Balcão de Informação e vejo o sujeito vindo na minha direção pela esquerda do meu campo de visão.

Assim que ele chega perto o suficiente, eu viro os olhos, de prontidão para um sorriso amigável e um cumprimento.

Ele está olhando para a frente; gira os olhos para a direita em reconhecimento, do ambiente, digo, pousa o foco em mim, se agitam por uma fração de segundo, os olhos é claro, enquanto giram rapidamente para a esquerda, e o sujeito passa por mim admirando a rampa de acesso ao hall dos elevadores.

Eu não sou tão feio assim...




-- Eu não quero que eles passem pelo sofrimento que eu passei.

Adultos são tão arrogantes!




Estou me sentindo bem aqui. Gosto do Flamengo. Daqui vejo os andares baixos de prédios antigos com fachadas de azulejos contrastando com o prédio moderninho de uma universidade particular; uma varanda de mesas arrumadas com iluminação fraca pousada à frente de um pano de fundo de automóveis, drogarias e um posto de gasolina.

Na direção inevitável do olhar um casal se beija com calma; não há porque se desesperar; de onde esse veio, há muito mais. É bonito ver a riqueza; quem tem oferece sem remorso, com as duas mãos abertas. Aproveite; disso, eu tenho de sobra.

Mas vamos pensar em outras coisas.

Estou adiantado e já pedi a Miller que sempre tomo aqui; certamente renderá uma série de comentários de praxe sobre minha relação com as bebidas alcoólicas e os entorpecentes em geral, quando finalmente meus amigos chegarem.

-- Cara, que comédia!
-- O quê?
-- Você pôs lá nas suas paixões, entorpecentes!
-- Meu perfil diz Afaste-se de mim.
-- O que é isso...
-- Você fala isso porque me conheceu antes. Imagina só.
-- É mesmo.

Meu colega é o crente mais sensato que eu já conheci.

E não acredito que há um debate sobre a existência dos espíritos na mesa ao lado. Só seria pior se fossem telemitas. Ninguém merece telemitas.

Não sei porque diabo achei que tivesse um posto de gasolina ali. É o Rei do Mate. Realmente, a ficção se esforça em ser ficção. Mas, me perdoe; existe realmente um posto de gasolina... naquela direção.




-- Você está sumido.

Suspiro...




Deste andar de cima a vida que acontece na rua parece distante e não relacionada. Até mesmo os ônibus, que são altos, não chegam ao nível de um dos poucos que estão aqui, não o nível social, obviamente, mas o nível vertical desta varanda, aproveitando uma brisa agradável, e provavelmente falando de mim aos cochichos, porque de repente minhas orelhas danaram a esquentar. Impressionante!

Se forem as duas que chegaram e sentaram ali no canto oposto, eu as perdôo.

Eu gosto dessa meia luz. O início de sombra evoca os fantasmas nas frestas e bordas que tentam delinear as Coisas e separá-las umas das outras. Quanto menos Coisas, tanto melhor. Há coisas demais no mundo.

[No próximo turno... Ficção! Fnord.]

Segunda-feira, Junho 06, 2005

Crônica: Argh

[Este negócio é antigo. Não me lembro quando foi que escrevi. Resolvi publicá-lo com alguma edição.]

Esse caderno está sendo a salvação da minha sanidade. O ar condicionado está forte pra caralho, a gerência toda já vazou, e a lombeira do almoço já veio, foi, e veio denovo. Pra não capotar de vez aqui no meu cantinho, só reclamando de algum coisa.

Mas não tenho muito do que reclamar. Vou guardar a questão da banalização do programador como mão-de-obra barata substituível como causa subjacente da supervalorização de modelos de software de alto nível, os modelos, digo, não o software, para quando estiver bebendo uma cerveja no Verde ou sejá lá onde for.

Esse não é um fenômeno com o qual eu tenho que lidar, na verdade; meu atual empregador não tem equipe suficiente para se importar com modelos de alto nível. Muito pelo contrário. A prioridade desesperada é o produto funcionando, ao menos aparentemente, o mais rápido possível.

Não que empresas maiores tenham mais paciência: os andares de cima estão sempre cagando. Mas as pequenas não tem equipe pra fazer qualquer coisa além de hackear como se não houvesse amanhã. Ou ao menos é como eles entendem a situação.

E as prioridades são todas o máximo. O máximo, digo, não porque são legais, mas porque não existe baixa prioridade. O documento de prioridades só relega para segundo plano coisas que não serão feitas de qualquer modo. Cada um telefonema que chega na mesa do diretor é uma nova prioridade máxima. Tenho três ou quatro prioridades máximas atoladas nas minhas costas agora mesmo. Entenda como quiser.

Não reclamo desse pandemônio. Só produzo. Naturalmente isso se traduz em grana, que por sua vez se traduz em porres inconseqüentes com maior freqüência -- quem disse que dinheiro traz saúde? E só um budista chamaria o completo entorpecimento de felicidade. Sempre gostei dos budistas. São os mestres daquele riso sacana.

A propósito, esse sistema contribuiría deveras para o meu bem estar psicossomático se ele parasse de dar problema e funcionasse como eu quero. Programar é como lutar: não faz sentido pôr a culpa nos outros quando você se fode. Ao menos, quando não estamos falando de política corporativa. Me lembro do primeiro período na faculdade, o sujeito no laboratório olhando triste o monitor, com os cotovelos na mesa, a cabeça pendendo sem forças, perguntando "Por quê, por quê você não funciona?" Deve estar perguntando até agora.

Acho que com os outros também é assim. Digo, lidar com os outros. Li um negócio hoje, esse cara reclamando que a mina dele dava uns xiliques surreais sem explicação. Aí uma outra guria comenta, e eu cito sem alterações:

"A gente às vezes dá sinais (quase) cristalinos do que está acontecendo e vcs nem notam. aí a gente tem que usar algumas estratégias para chamar atenção."

ao que eu retorno ao fim da mensagem do mongo original:

"tenho culpa se eu sow meio desligado???"

Claro que tem, seu imbecil.

Mas enfim. Concordo que seja ridículo reclamar dos reclamões. Então vamos falar de flores. Cara, a comunidade "Clube dos Namorados Perfeitos" botou na foto a cara do Johnny Bravo. É tão surreal que eu tive que entrar. Quê eu posso fazer se está chato pra porra aqui no trampo hoje?

Estou me preparando psicologicamente para o caos da festa de formatura da L. hoje à noite. Festas de formatura são zonas autônomas temporárias por excelência. A cerimônia foi ontem. Acho essas cerimônias solenes e formais um saco. Não é à toa que sempre são transformadas pelos celebrantes em algazarra. De outro modo alguém correria o risco de se entupir de tédio ao ponto de vazar pelo nariz, ou explodir o cérebro, ou algo parecido. É perigoso!

Só gostei no final quando uma cabeçada escondida atrás da platéia, ou sei lá como se chama o pessoal sentado nas cadeiras assistindo a esse tipo de evento, começou a soprar uma porcaria de corneta, daquelas de carnaval, em cima do discurso do velhinho que mandou aquela do "severino" sobre a qual eu escrevi outro dia. Muito legal.

Depois da cerimônia houveram outras coisas legais, mas vocês vão ter que ficar sem saber. Suficiente que houve a participação de vinho tinto. Estava quente, mas eu não paguei.

Crônica: Kawaii ^^

Estivemos lá, nós, juntos, lado a lado, enfim, zanzando de um lado para o outro; na verdade, não de um lado para o outro, mas em círculos, porque o evento se organizava ao redor de uma quadra de futebol de salão, onde estava acontecendo o campeonato de jogos de cartas; do lado de cá estandes de merchandise típico, manga, livros, bonecos, posters, enfim.

Comprei presentes para mim mesmo, minha irmã, e uma prima.

-- Esse lugar é absurdo.
-- Pois é. Eles são assim mesmo, por lá.
-- Eu sou um homem casado, cara. Eu amo a minha mulher.
-- É, companheiro...

Sailor Jupiter não estava tão legal assim, mas T. achou uma graça. Acho que tirou uma foto com ela.

Eventualmente foi zanzar com a sua colega do King of Fighters e ficamos sentados em um canto perto do banheiro feminino e do karaoke.

Eu gosto de cosplay; é legal ver o esmero com que os fãs fazem as roupas dos seus personagens favoritos, ou ao menos quanto dinheiro se propuserem a gastar ali; ou o dinheiro de seus pais, enfim. Alguém gastou alguma coisa.

Por isso mesmo dá vontade de rir de alguns que aparecem com uma peruca e um cordão, ou, sei lá, um anel, e de repende você percebe que aquilo é uma tentativa de alusão a um personagem X ou Y.

-- O que diabo é aquela ali de peruca loura?
-- Cara, sei lá...
-- Ela está com um treco na cabeça, o que é aquilo...
-- Putz, brother, aquilo é uma tentativa de Chi, de Chobits; aquele negócio ali é...

Enfim. Não interessa.

-- Não sei se eu acho esse negócio saudável.
-- O quê?
-- Olha aquela saia ali.
-- É; é como eu disse, é assim mesmo que se vestem, por lá.
-- É muito erótico.
-- Bom, talvez não seja assim tão fetichista por lá, mas as roupas de colegiais são sinistras...

Observamos por alguns minutos. É realmente um negócio muito estranho; uma coletividade adolescente com saias muito curtas, e camisas curtas e/ou justas, cabelos coloridos; as que fazem cosplay acabam por fazer personagens de desenhos populares (para não dizer populistas) que invariavelmente usam muito pouca roupa.

É conhecida a tara fetichista dos japoneses; há toda uma indústria pornográfica lá atrelada ao manga e ao anime. O público otaku, uma espécie de A Vingança dos Nerds levada ao extremo da incapacidade social, consome as ninfetinhas super-poderosas da animação vorazmente.

Adolescentes já não fazem muito mais que isso, basicamente; estimulados então, é um show de horrores. Mas quem sou eu para reclamar; estava lá apreciando o show, ao custo efetivo de dois maços de Carlton vermelho.

-- Não são muito diferentes de nós na época mor do RPG.
-- Nossa, que coisa horrível, não podiam expulsar essa porcaria pra longe do microfone?
-- Observa só, ficam todos querendo se satisfazer em sua glória de fã; os mais novos vêm fantasiados de Evangelion ou outra porcaria popular, e os um nivelzinho acima dizem entre si, Haha, olha ali, Shinji, é um novato mesmo.
-- E sempre tem os outros grupinhos, tipo aqueles ali, ó; aqueles com certeza são jogadores de Vampiro.

Vemos um borrão preto andando pelas laterais em direção à lanchonete, e com dificuldade percebemos que são, na verdade, indivíduos todos da mesma cor, muito próximos uns dos outros.

Ficamos mais um tempo em silêncio, provavelmente alimentando pensamentos eróticos pelas garotas e pensamentos assassinos pelos garotos, até perceber que aquilo é errado. Errados, digo, os pensamentos eróticos, porque apesar das aparências, a faixa etária ali é 14 para 16; os pensamentos assassinos até que eram bons.

Um cardume sai do banheiro feminino e se aloja ali ao nosso lado; o zumzumzum me encomoda, M., aqui está crowded, vamos dar uma volta. Beleza.

Andamos por aqui e ali; provavelmente então que comprei os presentes. Eventualmente encontramos T. e King of Fighters tirandos fotos fazendo poses.

-- Cara, você já parou para pensar que nenhuma dessas pessoas têm a idade de um bom uísque?
-- Eu não beberia nenhum deles.

Curiosamente, nenhum deles bebe; eventualmente saímos de lá para encher a cara, e tivemos nosso convite recusado. Eles não bebem cerveja, me diz minha amiga. Só gostam de vinho. Não sei que gosto doido é esse de adolescentes, de não beberem cerveja, mas vinho; a última cena dessas de que me lembro envolvia um garrafão de vinho muito ruim e uma penca deles amontoados com copos de plástico na mão. Na época, eu não era muito mais velho.

Ou talvez meu corpo não fosse muito mais velho. Mas não entremos nessas considerações.

É estranho participar de um evento desses; dependendo da sua aproximação, sente um vazio, ou um preenchimento, ambos totalmente ridículos. Parte da diversão está em, meramente, estar.

-- Não acharam o meu coleguinha kawaii?
-- Putz.
-- Esses amigos automáticos são uma graça.
-- É, e sempre que você os encontra, um ano depois, eles sempre dizem, E aí, cara, estou organizando um evento...
-- Ou então, Estou começando um zine alternativo...
-- Pois é, tipo o lance de zine do Garage que o G. arrumou aí. Eu nunca que mando pra ele o texto que eu falei.
-- É, ele me falou sobre isso. Eu ando escrevendo ultimamente.
-- É mesmo?
-- É. Um dia eu estava entediado em casa, abri um negócio alcoólico, e rapidinho estava rindo à toa digitando no computador. É a minha terapia.
-- Ih, cara, eu mesmo comecei a escrever assim...

Mas nós já estamos cansados desse assunto, hm? O porta-retrato da Utena que comprei está uma graça na minha estante, mas me pergunto de quem será a foto que ele vai portar.

Como eu dia dizendo, é difícil se divertir nesses eventos da maneira mágica dos adolescentes, quando esses conseguem de fato o feito; o entusiasmo de estar ali, n'O Evento, sendo O Fã. Falar com orgulho, Eu vou no Anime Rio, sentir aquele significado todo, Eu Faço Parte.

A realidade cruel do corpo atrapalha o momento mágico; o tempo passa, e você está ali; você senta, o tempo passa; percebe secretamente que parte da diversão dos que estão se divertindo está realmente nas outras pessoas que estão por perto; observa as patotinhas, vê jurados de concursos onde amigos estão participando, o grupinho de Vampiro zanzando ou já sentados em algum canto, pra reclamar da vida; cosplayers insanos com pelo menos um quilo de plástico sobre a lata fazendo poses e tirando fotos.

Não durou muito mais; eu e M. partimos para o botequim mais próximo, e o resto da noite foi a arrogância de dois filósofos largados com a cerveja debatendo a falta de propósito e o desejo do significado por parte de outras pessoas.

-- Cara, olha aquilo. Olha ela, cara.
-- Nossa!
-- É muito kawaii, M. Eu quero uma dessas pra mim.
-- A lei não permite, sinto muito.