Terça-feira, Maio 31, 2005

Lorenzo?

Eu juro.

Estávamos eu e o G. discutindo os assuntos mais relevantes, ali no Planalto, quando o sujeito BALANÇA O CABELO DAQUELE JEITO.

-- QUE É ISSO!
-- O que foi?
-- Sabe aquele início do Lorenzo, onde ele balança o cabelo? Lembra desse trecho?
-- Sei.
-- Eu juro que aquele sujeito balançou o cabelo IGUALZINHO.
-- É claro né. Todos eles balançam.

Era um mesa cheia deles.

Eu não agüentei mais meia-hora. A gente pagou a conta, e eu pedi por favor pra irmos embora.

Momix

Cara, a venda de ingressos para o espetáculo do Momix começou ontem e hoje os ingressos já estão acabando... Mamãe comprou cinco, se não me engano, para a galeria, e com sorte ficamos próximos. Dizem que a fila na bilheteria do Municipal ontem dobrava o quarteirão!

Tempo

Não tenho tempo para quem não está vivendo comigo, aqui, e agora.
Please, keep it up, okay?

Segunda-feira, Maio 30, 2005

Hiato

Fiquei MUITO RUIM de gripe sábado de madrugada e ainda não melhorei.
Esse fim de semana fica sem crônica, infelizmente.

Sexta-feira, Maio 27, 2005

Família Lamarão

Daqui há mais um pouco sairei de casa para o segundo encontro da Família Lamarão, no Puebla Café.

Desta vez equipado minha Pentax de estimação. :D

Não sei ainda se vou levar papel e caneta ou não.
Amanhã relato essa experiência.

Segunda-feira, Maio 23, 2005

Crônica: Terapia

[Editado em 2005-05-30 porque não sei que merda eu tinha na cabeça pra digitar com tantos erros.]

Que a Deusa me perdoe, mas hoje estou bebendo chopp em um shopping center.

Andei por Botafogo quase uma hora. Teria ido ao Leblon, mas certas expectativas me mantirevam por perto. Procurei onde me sentar -- por algum motivo a mesa número 6 não me pareceu tão atraente. Creio que o vinho tinto que não tomei na sexta-feira está me levando ao álcool.

Fui à Lidador deste shopping mas estavam com falta de Miolo, e a única garrafa da loja custava mais que eu posso pagar. Em uma garrafa de vinho.

Procurava um lugar aberto, de preferência com mesas próximas a uma rua tranqüila; numa varanda, quem sabe, com uma gradezinha de madeira; uma meia-luz, toalha de pano, uma boa cerveja; silencioso, talvez uma suave música ambiente.

Mas estou com minha câmera fotográfica na mochila, então entrei no maldito shopping para comprar filme. Agora estou sentado neste lugar barulhento sem que um puto de um garçom venha me oferecer o Chopp da Brahma Gelado! a quase três dinheiros a caneca.

Pelo menos gasto menos dinheiro. Sobra para uma garrafa de tinto na minha loja favorita.

Passei a semana esperando a sexta-feira chegar.

-- Então, é isso que eu estou dizendo.
-- Cara, totalmente. É isso aí.
-- Porra, a gente tem que sair mais.
-- É cara. Vamos combinar.
-- Lembra quando nós vimos Moulin Rouge e tomamos vinho tinto, L.?
-- Aham.
-- Vamos fazer denovo! A gente compra umas garrafas, e eu alugo os filmes. Podemos ver Encontros e Desencontros e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança.
-- Maneiro cara. Vamos combinar.

Vamos combinar é mortal. Vimos, eu, K. e um amigo das antigas desenhos animados, comemos pizza e tomamos guaraná.

Ontem decidi sair pela noite e ver a animação da cidade. Dormi.

Puta merda, o sujeito está com uma camisa vermelha com o símbolo da União Soviética estampado. Até eles já desistiram. Esse é persistente.

Mas é fácil persistir em uma fantasia.

Estávamos nos enfiando de vinho tinto. Posso me foder de todo jeito, mas não de grana. O mercado de trabalho me ama. É das poucas coisas que me amam.

-- Estou deprimido.
-- Por quê?
-- Por que nós somos a maldita Operação Mindfuck, Gil, e há anos que a única mind que vem sendo fucked é a nossa própria.
-- Jura. Não tinha notado.
-- Caralho, e os garçons continuam me ignorando! Mas hoje foi a maior comédia, estava no Escada Shopping, tinha ido comprar um filme...
--- Filme? Que filme? Vamos ver.
-- ...pra minha câmera fotográfica...
-- Ahn.

Porra!

-- Cara, você leu um trecho do Umberto Eco que eu citei há uns meses atrás?
-- Não lembro.
-- Eu queria que a Operação fosse mais ativa, só isso.

Mato a minha taça, vou buscar outra garrafa na geladeira.

-- Cara, você está prestes a começar um monólogo.
-- Bah.
-- Eu sei o que você quer dizer, você quer causar mais impacto, projetos provocantes, etc. Vamos libertar a mente.
-- É.
-- Dos outros.

Er.

-- ...é.
-- Ah, vai tomar no cu.

Enche a taça. Eu começo a falar merda mais cedo porque não consigo beber devagar.

Comecei a divagar.

-- Viu a foto que eu tirei da Placa da Presidente Vargas?
-- Vi, cara. Você manjou o lance do 2010?
-- Que lance?
-- No 2010, os caras descobrem que as placas convergem para Júpiter, um negócio assim.
-- Mas isso não tem nada a ver com o Toynbee.
-- Sei lá.

Hum...

-- Escuta, Pat, você fica enchendo o meu saco com esse papo de Mindfuck mas nem termina a merda de conto para o zine.
-- Ih, foi mal, está ali embaixo das revistas.
-- É, finalmente, o tal conto do Lorenzo?
-- É.
-- Eu gosto desse.
-- Eu gostei da idéia, mas achei que ficou uma merda.

Depois de meia hora percebi que estava na área da lojinha de salgados. Levantei sem cerimônia e me mudei para uma dessas mesas altas esquisitas com o símbolo da Brahma.

O chopp estava longe de gelado.

Este shopping é diferente da Prefácio. Aqui os casais não são cult ou briguentos ou em formação. São casais. Exalam casalzice. Uma coisa pacífica e tediosa.

Mas como era a catch phrase daquele filme? Todos querem ser encontrados.

-- Mariana não vêm hoje.
-- Ela sabe que a gente tem vinho?
-- Sabe. Tem um carinha aí.
-- Graças à Deusa.
-- É.

Nosso dilema a três nunca fez sentido mesmo.

-- Como tá indo o teu Plano, cara?
-- Olha, me pergunta isso outra hora. Basta dizer que sem esse vinho tinto eu teria me jogado pela janela.
-- Mas do terceiro andar, cara? Ia doer.
-- É.

Minha sala era a exibição alegórica do esparramar. Estávamos eu, Gil, meus dois cachorros de pelúcia, as garrafas cheias, as vazias, e esses negócios tipo travesseiros, todos esparramados pelo chão.

Meu lar é um templo à Eris.

-- Você não devia estar tão chateado. Nós estamos publicando. Como você disse. Publicando e foda-se.
-- Eu sei... Mas -- Estou meio sem valor.
-- Como é isso?
-- É como se -- Qual é o valor no que a gente faz? Quero dizer, é mais fácil achar valor no trampo que nas crônicas, cara. O trampo paga o vinho.
-- Olha...

Sinto pena do meu amigo. Ele escolhe as palavras com cuidado porque sabe o que significa a pedra de gelo que vos fala insinuar que está triste.

É curioso o mecanismo animal. Dediquei minha vida a desvendar sua linguagem. Perceber meu amigo se sentindo no limiar de me dizer algo ruim me faz bem por ter atenção e preocupação.

É essa a natureza do afeto, a felicidade do desconforto do outro por nos querer bem? Rejeito essa realidade. Não aceito esse mecanismo. Essa é a minha Operação Mindfuck.

-- Cara, olha, não se preocupa. Eu sei que estou te deixando sem jeito. Pode me dizer o que está pensando. Solta essa parada.

Os músculos se soltam.

Nós somos Mestres em Mindfuck. Não Grão-Mestres, mas Mestres. Mesmo assim essa pessoa se contraiu para evitar meu ferimento.

Deveríamos nós ligar totalmente o foda-se, como é nosso discurso? Ou o sinal derradeiro da palhaçada que é essa atitude é a preocupação inevitável? Há um caminho do meio.

-- Não sei mais o que te dizer, mermão. Você sempre foi o cara que percebe os mecanismos. Mas esse seu estado atual me assusta.

Onde está Mariana? Ela é a salvadora de todos nós. Ela dissolve nossos pecados em si mesma. Nos odiamos por isso.

Longo silêncio.

-- ...comprei aquele vestido pra ela.
-- Quem bom, cara. Ela vai gostar.

Estou a ponto de chorar. Minha existência é absurda. Meu sucesso é absurdo. Meu fracasso é absurdo. Sou uma máquina de trabalhar, meu conforto está garantido; mas sou uma máquina de pensar e minha mente esta acelerando em direção ao inferno. Estou vivo. Por quê mesmo?

Como foi que o Gil disse? Tenho que ser mais cara-de-pau. E Machado de Assis? As melhores mulheres estão reservadas para os homens mais ousados.

Mulheres? Meu braço de escritor perde a força e a caneta cai quando o fluxo nervoso percebe o que está correndo por ali. Essa é a quetão final? É sobre isso que se resume?

Não é.

-- Ainda bem que você veio. Se não tivesse vindo, eu teria dormido doze horas até o dia seguinte.
-- Não sei como você pode dormir tanto às vezes, e não dormir nada às vezes.
-- Cuidado com essa porra!

A garrafa escorrega e espirra vinho pra todo lado.

Puta que pariu, meus travesseiros!

O shopping está fechando. Pago, saio. Estou com minha mochila e minha solidão caminhando em direção à locadora (naturalmente, saí para devolver filmes) quando o telefone toca.

-- Qual é.
-- Vinho.
-- Tô indo.

Não sou escritor, logo vocês não são leitores.
Essa é a minha terapia.

Boa sorte pra vocês.

Domingo, Maio 22, 2005

Bizarro

Estou desconfiado que acabei de cair em um golpe telefônico maluco.

Acabei de receber uma ligação. Número desconhecido. Ligo de volta, silêncio.
Recebo então uma mensagem "Urgente": "Oi! Pedro estou com saudade.bjos ass. Ro"
Ro? Quem diabo é Ro? Ligo de volta.
Mesmo número.
Silêncio.

A essa altura, já deu pra cair em algum golpe telefônico doido.
Se em poucos dias eu não descobrir quem é essa(e) Ro que está com saudades de mim, eu ligo pra Vivo pra falar sobre essa parada.

E vou ter que monitorar as minhas contas telefônicas. :(

Sexta-feira, Maio 20, 2005

:-(

O pessoal vai ver Episódio III no Arteplex hoje. :-(

Quarta-feira, Maio 18, 2005

Firulas

Minha família está se informatizando. Estão quase todos já com webcam, microfone e tudo o mais.
Vou comprar uma webcam Creative e um bom headset essa semana e começar a brincar com videoconferência!

Segunda-feira, Maio 16, 2005

ahn?

Há muito que abandonei o caminho do Auto-Conhecimento; num cruzamento, escolhi a outra estrada.

Estou na trilha do Outro.

Fotos!

Porra, trinta e seis poses custaram menos de vinte pratas!
Eu achei que ia me fuder!

Assim que der pra escanear, ponho na Internet. :D

Domingo, Maio 15, 2005

Crônica: Uma Vida

O meu dilema é não ter decidido ainda que vida viver; e enquanto a decisão não chega, ir vivendo qualquer vida que se apresenta.

Ontem me desgarrei da matilha para ouvir a conversa desse grupo de pessoas que eu deveria conhecer mas de fato só mal me lembro:

-- Por que uma pessoa que é criada com muita rigidez vai naturalmente ser mais flexível com seus filhos.
-- Pode ser, mas existem aquelas pessoas que têm esse discurso mas quando têm filhos imitam os próprios pais inconscientemente.
-- Bom, gente, a verdade é que todas essas coisas *podem* acontecer...

Esta guria foi a mais sábia de nós. Eventualmente a minha cerveja chegou e eu passei a outros assuntos.

Na manhã seguinte acordo de cabeça para baixo no sofá. Estava tão cansado no fim da noite que aconteceu o impossível: eu aceitei uma carona que estava indo embora mais cedo. Todas essas horas extras estão atrapalhando significativamente a minha capacidade de me divertir.

Vi o céu claro do lado de fora e fiquei de mau humor. Me arrastei até o banheiro, liguei o chuveiro e sentei no chão do box. Há pouco que me relaxe tanto quanto água escorrendo sobre o meu corpo. Debaixo d'água eu penso na vida; infelizmente ainda não inventaram um utensílio de escrita que funcione bem debaixo de um chuveiro; minha literatura seria muito mais interessante se eu pudesse produzí-la ali.

Talvez seja hora de comprar aquele gravador digital.

Um mentecapto me ligou enquanto eu estava ali, zen, e o meu humor voltou ao normal: o mau. Demorei de propósito para atender a porta.

-- Pedro.
-- Alô, é Pedro?

COMO ASSIM?

Eu fico imaginando que impulso bizarro leva uma pessoa a perguntar a outra que acabou de se anunciar quem ela é. Fico imaginando um diálogo assim:

-- Eu sou Pedro.
-- Legal! Quem é você mesmo?
-- Pedro. Eu sou Pedro.
-- Legal... cara. Como é seu nome mesmo?

Enfim.

-- Sou eu.
-- Ah, oi cara! Te acordei?
-- Não.
-- Sei, então, está a fim de tomar uma cerveja?
-- São nove horas da manhã.

Silêncio no telefone.

-- É cedo.
-- Ahn...

Imaginei o que o sujeito estaria pensando naquele momento de silêncio, Cara, o Pedro às vezes é muito burro, eu não perguntei que horas eram, perguntei se ele queria beber cerveja...

Algumas pessoas não foram apresentadas à interpretação de texto.

-- Em outra palavras: não quero.
-- Pô, cara, larga de ser mala!
-- Você que me ligou; como que eu sou a mala?
-- É que ninguém quer ir comigo...
-- Jura.

Desliguei. Nem me toquei em perguntar quem era.

Fiz uns ovos estalados, ou estrelados, como preferir, e comi com pão integral. Leite gelado. Chocolate. A vida não é tão ruim. Na mesa da cozinha escrevo enquanto como devagar e espero a hora de ir viver a vida chegar. Que vida é essa, eu ainda não sei; quero dizer, não sei mais que o básico; trabalha-se pra ganhar algum dinheiro; procura-se ter o máximo de dinheiro possível para poder obter coisas; e ter coisas acaba sendo a atividade geral da vida.

-- Mãe, não começa denovo com esse negócio de Uma boa vida. O que diabo é uma boa vida?
-- Ah, filho, é você estar bem, com um bom salário...
-- E quanto é um bom salário...
-- Um salário que dá pra ter as coisas.

Meu humor não está melhorando.

Na festa que fui ontem estavam umas pessoas sofisticadas. Sabe a deusa onde nos confins do Jardim Botânico. Estávamos de carro, e chegamos a um impasse em ao cruzar a rua onde precisávamos chegar, porque em nenhum dos lados havia a casa número 84. Ali, o tecido do espaço-tempo era particularmente curvo. Não ajuste o seu televisor.

Então, estávamos na tal festa com as pessoas sofisticadas. Talvez eu tenha tido essa impressão por causa da arquitetura do lugar; era mais sofisticada que os apartamentos a que estamos acostumados. O lugar surte esse efeito nas pessoas: você é tão legal quanto onde você vai.

-- E aquela ali, de onde ela é?
-- Ah, ela é do pessoal da Bunker.
-- Pô, maneiro.

Como será que "maneiro" se tornou sinônimo de legal?

Talvez o meu humor seja resultado do som que eu ando ouvindo. And after a while, you can work on points for style... Like a club tie, and a firm handshake; a certain look in the eyes and an easy smile. You have to be trusted by the people that you lie to, so when they turn their backs on you, you get the chance to put a knife in...

Termino de comer, lavo a pouca louça que sujei, escovo meus dentes, ponho desodorante, me olho no espelho, me certifico que estou certo, porque não posso sair na rua assim todo desgrenhado, o que as pessoas vão pensar.

Estou arrumado, saindo pra trabalhar em um domingo de sol.

Cara... Como?

Sexta-feira, Maio 13, 2005

Você

Eu te odeio.

Segunda-feira, Maio 09, 2005

Crônica: Branco

Se eu escrevo crônicas sobre minha vida e meus pensamentos, o que significa que eu tenha bloqueio de escritor? É patético.

No fim de semana viajei para estar entre pessoas muito mal conhecidas; pensei em escrever sobre ser ou não ser importante e lembrar episódios do passado mas desisti.

Mofando na faculdade pensei em escrever por que odeio o lugar e contar histórias deprimentes da minha experiência com o meio acadêmico mas desisti.

Pensei até em escrever sobre como meu caminho de monge kung-fu me atrapalha cada vez mais a odiar as coisas, mas o que se poderia dizer sobre isso? Desisti.

Me ocorreu uma cena de diálogo entre Patrick e Mariana, mas logo ela degenerou em uma certa fantasia pessoal e eu não estou muito a fim das minhas próprias fantasias, então, tecnicamente, dessa idéia eu não cheguei a desistir.

Seria uma boa idéia enrolar mais uma vez com histórias da Prefácio, mas ainda faltam muitas horas até poder ir lá, e eu não estou mesmo a fim de café.

Talvez até tome um na Saraiva na hora do almoço; decidi gastar meu vale presente em um disco do Pink Floyd.

De que mais eu desisti? Vamos ver. Há um parágrafo sobre as múltiplas vidas que há para se viver; nesse eu estava pensando em como uma mulher é uma âncora no mar das possibilidades. Poético, não? Me parece que só sei fazer metáforas envolvendo de algum modo água. Não creio que vá realmente terminar este.

O que se pode dizer de um escritor que não quer escrever sobre a melancolia da própria vida? Que ele tem bom senso? Bom senso está na seção de auto-ajuda.

O que se pode dizer de uma cultura com toda uma indústria produzindo livros que dizem O importante é ser feliz? Eu me recuso a aceitar que entendo.

Falar sobre a vida não está mais valendo a pena; vou acabar parando ou passando à ficção. Enquanto isso vou passando de sala em sala atento a como satisfazer os requisitos arbitrariamente rígidos estabelecidos para responder à pergunta Você aprendeu essa matéria?

Ha, se me permitisse, escreveria laudas e laudas sobre como as coisas deveriam ser. Essa pretensão nunca vou deixar de ter, então, me limito a só pensar no assunto. Nada de escrever.

Quando a vida não é mais que uma série de trivialidades se sucedendo no tempo não se pode mais que relatar. Domingo perdi minha mochila e ganhei uma viagem com acompanhantes, mesmo sem tudo pago, ao Animecon. O metrô está curiosamente vazio hoje, mas estou adiantado. Minhas folhas estão acabando e ainda não me veio uma crônica decente. A bonitinha de Estrutura de Linguagens dobrou para a Saens Pena, e provavelmente não tem estágio. Meu pulso dói de tanto escrever.

Percebi não há muito, enquanto pensava sobre a arte da caligrafia movido pelo impulso poser de imitar o sujeito de Herói, que eu seguro a caneta com muita força. Uso quatro dedos para prender a caneta. Aperto a caneta com força contra o papel, mesmo sendo rollerball.

O que meu uso da caneta tem a ver com a série das trivialidades? E o que isso tem a ver com meu bloqueio de escritor? Que bloqueio de escritor resulta em três páginas manuscritas? As indagações consomem o meu coração. E o meu tempo. Ao menos explica-se a dor nos pulsos.

Confesso que não sou realmente um escritor, estou apenas entediado. Já estamos na Central e convenientemente no fim desta folha.

[Heh. Desisti de ir na Saraiva, ao longo do dia.]

Terça-feira, Maio 03, 2005

Giuliano I

Escrevi um pequeno trecho; se você sabe do que se trata, me pergunte, está à disposição.
Creio que serão no total três.

Quem souber me dizer o que eu quero saber, ganha um texto, prosa ou poesia.
A promoção exclui você, porque seria fácil demais. Você sabe quem você é.

Lorenzo

-- Lorenzo, você não acha que já bebeu demais, irmão?
-- Que papo de veado é esse? Eu sei beber, porra.
-- É isso aí, Lorenzo. Vamo encher a cara até de madruga.
-- RRRRRRRROOOOOOOOOOOOOOAAAAAAAAAAAAAAAAARRRRRRRRRRRRRR!
-- Cara, vocês bebem demais...

Levanta da mesa, o viadinho. Quê que foi, não agüenta? Vai tomar no cu. Eu sou homem. Vou levantar pra mandar ele tomar no cu. Estou pesado, está tudo meio borrado nas laterais. Estou pesado porque sou foda, não preciso ir mijar a toda hora que nem uma menina. Estou cheio de cerveja. É. Não vou levantar. Por que não quero. Vou continuar a beber aqui com o meu camarada. Qual é o nome dele mesmo?

Segunda-feira, Maio 02, 2005

Eu quero mais brinquedos!

Em breve, estarei portando um gravador portátil.
Cassete.

Para não mais esquecer os episódios, combustível de crônicas.

Como o camarada consertando o poste na Senador Vergueiro.
Me lembro vagamente de começar a bater palmas, enquanto Michel nos imaginava indo até o caminhão e botando alguma coisa pra segurar o acelerador até embaixo.

Alguém disse "momento Seinfeld", não lembro quem foi.

Foi amarrar essa parada no peito, ao melhor estilo Gonzo.

Sorte de Hoje

"Você é o charme e a cordialidade em pessoa."

BwAwhAHwHAwhAhwHAwhAwHAwhAHwHAwhAHwAHwHAwhAhwAHwcjAxeals *cof, cof cof*

Domingo, Maio 01, 2005

Crônica: A Mesa Número 6

Chego para tomar o meu café, e o que encontro? Um CASAL sentado à minha mesa. Que absurdo! Logo compreendo que são estrangeiros, e os perdôo por não conhecerem os costumes locais.

Me sento à mesinha de dois lugares do guri cutucador. É interessante como, nos lugares familiares, certas coisas adquirem... marcas. Estou no lugar do garoto cutucador; à minha direita está a Mesa Número 6; à minha esquerda, o Mar; lá do outro lado, a Ilha; e daqui, a garçonete consegue me ver! Acho que vou conseguir um capuccino antes que a casa feche.

Sentado aqui, não preciso de assunto -- esse lugar fala por si só. Na diagonal está esse cara cabeludo -- não ao estilo RENEGADE, mas ao estilo GUGA -- que por sinal, se parece com uma versão do G. no Planeta Bizarro, lar do Super Homem Bizarro -- enfiando a cara no cangote da guria com a voz aguda. Não ouvi a voz do sujeito até... agora. Ela cruzou os braços, mas ele ri.

-- Pára de rir.
-- Eu só posso rir...
-- Não acredito nisso!

Eu também. E eu também.

Sabe, eu adoro capuccino. Mas... Vagou a mesa 6.




Muito melhor.

No Outro Dia um fã revoltinha me interceptou atrasado em direção ao metrô para dizer Meu, que palhaçada é essa de Mesa Número 6? Se liga!

O perdoei por ser paulista. Mas não expliquei que a mesa número 6 está posicionada em um canto oferecendo visão panorâmica de toda a Prefácio, e fica logo abaixo de um foco de luz.

Eu estou escrevendo, né, mano? Se liga!

Pois que explicava meu dilema quanto ao capuccino -- não sei como fazer. Vê, estava lá no Esch, esse lugar que o G. encontrou no Centro da cidade, e pedi meu capuccino. Eu meço a casa pelo capuccino -- já que a cerveja não são eles que fazem.

Exceto a Devassa.

Pois o capuccino no Esch vêm café com creme -- o creme como deveria ser -- mas com o chocolate e a canela nesses potes. Já tentei duas vezes, e nas duas ficou uma merda.

Eu disse antes que as coisas por aqui adquiriram marcas. Daqui eu vejo na costa da Ilha este sofá.

Entenda que eu adoro sofás. Você pode se esparramar. Tenho boas experiências com sofás -- sozinho, ou com outro corpo junto ao meu.

Mas daquele sofá a foto deste negão tocando um negócio de sopro fica bem no campo de visão. Daqui eu consigo vê-lo OLHANDO PRA MIM. Imagine lá. Um dia eu tomo coragem e vou lá escrever O NEGÃO DO NEGÓCIO DE SOPRO -- entenda como quiser.




Hoje eu fui tragado até este lugar. No metrô, estava em uma encruzilhada: norte, Chicão; Sul, Equações Diferenciais Ordinárias. Já estava conformado com a derrota do Chicão, até que, saindo do metrô, vi minha saída fechada e tive que tomar a "Voluntários da Pátria"... E pronto.

Há tempos em que essas coisas simplesmente me tomam. Às vezes, são mulheres; me capturam os olhos, se alguém pergunta, eu, zonzo, "...interessante..."; às vezes são livros, como no meu último frenesi de ciências humanológicas e humanográficas; mas agora, estou aqui.

Estou envergonhado; o sangue me sobe à face, minhas mãos tremem, minhas pernas cruzam, olho forçado para a frente...

Mesa número 6, quer casar comigo?




Em um momento súbito de iluminação, atingi o estado de empatia com a categoria a quem gosto de chamar Escritorezinhos de Merda.

-- Eu tenho grandes planos para o Mindfuck.
-- Foda, G. Mas vamos tocar esse zine, cara.
-- É.
-- Por que o lance é o seguinte: esses Escritorezinhos de Merda -- HIC! -- ficam cheios de merda com os textos, Oh, meu texto, não vou publicar, porque não sei o quê -- HIC!
-- É mesmo, cara. Esse pessoal de blog é assim, Oh, meu blog secreto, e tal.

(Acredite: nós já fomos a um Encontro de Blogueiros. Peça ao G. para escrever sobre O LENDÁRIO AUTO-TOCO.)

-- Então: vamos fazer o contrário. Ah, zine? Pode publicar. Foda-se. Põe essa porra no mund -- HIC!
-- Cara, eu tenho grandes planos para o Mindfuck. Me passa essa porra aí.
-- HIC!

Daí, o que aconteceu. Estava eu lá, todo satisfeito não me lembro por quê, e...

-- Aí, ó. Falei com o FULANO e ele me falou que crônica parece bom.
-- Daí, tu me manda uma pronta pra ele avaliar. Se ele gostar, a gente até consegue uma coluna.
-- Mas não tem data pra sair, e tal.

E então eu fui iluminado.

Por que COMO ASSIM ele vai AVALIAR e QUEM SABE uma coluna? Ainda mais um negócio SEM DATA pra sair?

Vê, se um defeito eu não tenho é o da modéstia. Por que dos que eu conheço pessoalmente, uma dúzia e olhe lá vai me ler e fazer "Hum..."

Não gostei é pessoal e eu aceito. Mas estamos diante de um editor de um zine que...

Vê? Foi assim que eu me iluminei. Oh, meu texto fodão, você não será maculado por aquelas páginas sujas... Oh, meu poder literário, quem são os plebeus para emitirem opinião.

Após minha iluminação estou mais preparado que nunca para liderar os Falsos, os Hipócritas e os Mentirosos. Agora, também os Falsos Humildes.

Por favor, meu chapa, publica o meu conto.

É só um contozinho. Faz essa caridade.

Hein?