Crônica
[Wayback machine turn on. It's you!]
Quando ainda era um molecote, teve esse churrasco. Minha primeira vez oficialmente com a barriga na churrasqueira, responsável por toda aquela comida. Estava satisfeito na minha posição, quando a mãe do meu amigo, nossos anfitriões, se aproximou e perguntou E aí, como está o churrasco.
Está ótimo, disse eu, a carne está uma delícia, muito bem temperada.
A mulher olhou pro marido, a saber, o pai do meu amigo, é claro, e aquela expressão nunca mais saiu da minha memória. Temperada? Que é isso, tá no sal grosso. Ela não sabia se ria ou se chorava ou se ficava puta com aquele molecote encostado na churrasqueira como se fosse o rei da parada sem fazer a menor idéia do que estava falando. Ou fazendo.
Obviamente eu entendi perfeitamente o significado daquela cara de boba que ela fez, como só uma criança é capaz de entender.
Cresci para reproduzir aquela cara inúmeras vezes, e fazer todo o esforço possível para nunca mais vê-la zombando de mim denovo.
Me vi, como no espelho, em um molecote com a galera no ponto de ônibus depois de uma tarde de bate-papo no Catete sobre RPG e anime. Bons tempos do IRC.
Naquele dia convidei a minha irmã. Que comédia ver os molecotes, cara.
Mas enfim, estávamos lá no ponto de ônibus, sei lá indo pra onde, falando sobre música, G. estava na época do Garage, papo vai e vem e o sujeito solta Ah, eu gosto de uma monte de coisa, tipo, The Wonders. Ali estava eu, com a minha picanha bem temperada, que delícia! The Wonders não existe, garoto, só tem no filme. Deu pena de ver a expressão dele, mas eu fui solidário. Só não podia deixar passar em branco.
Sei como é querer ser importante. Significativo. Vivemos vidas de merda, constantemente desconsiderados por professores, patrões e até pais. Foda-se, por todos os lados. O sujeito fica perdido já que entre todas as coisas importantes que todo mundo quis ensinar pra ele não sobrou espaço pra aprender sobre o que afinal o deixa numa boa. Daí, você inventa uma merda qualquer. Provavelmente imita qualquer pompa que viu outra pessoa sustentar.
Argh!
Tipo o pessoal esquisotérico. Ali o pandemônio é completo. Qualquer porcaria que dê, com uma aritmética alucinada, digamos, 666, e pronto, tu é O Cara. Grandes merda.
Daí eu vou e bebo. Até ficar bem zonzo e não sobrar mais nada. Tentando encontrar alguma integridade. É uma busca besta mas eu não consigo parar. Estou diminuindo só porque de vez em quando dá vontade de me comunicar. E tal.
Falei com G. outro dia, Porra, a gente precisa conhecer gente com conteúdo, Cara, a impressão que me dá é que está todo mundo morgando, ninguém está mais a fim nem do conteúdo que tem.
Aí eu penso sobre isso e me lembro denovo do tempero, eu aqui, todo importante, escrevendo em uma livraria com um volume do Bukowski em cima da mesa. Por acaso faço idéia sobre o que eu estou escrevendo? Eu não. Mas olha pra esse pessoal dos blogs por aí, escrever é coisa de gente legal.
Boa, P. Muito boa. Você é o cara.
[How are you gentleman.]
Quando ainda era um molecote, teve esse churrasco. Minha primeira vez oficialmente com a barriga na churrasqueira, responsável por toda aquela comida. Estava satisfeito na minha posição, quando a mãe do meu amigo, nossos anfitriões, se aproximou e perguntou E aí, como está o churrasco.
Está ótimo, disse eu, a carne está uma delícia, muito bem temperada.
A mulher olhou pro marido, a saber, o pai do meu amigo, é claro, e aquela expressão nunca mais saiu da minha memória. Temperada? Que é isso, tá no sal grosso. Ela não sabia se ria ou se chorava ou se ficava puta com aquele molecote encostado na churrasqueira como se fosse o rei da parada sem fazer a menor idéia do que estava falando. Ou fazendo.
Obviamente eu entendi perfeitamente o significado daquela cara de boba que ela fez, como só uma criança é capaz de entender.
Cresci para reproduzir aquela cara inúmeras vezes, e fazer todo o esforço possível para nunca mais vê-la zombando de mim denovo.
Me vi, como no espelho, em um molecote com a galera no ponto de ônibus depois de uma tarde de bate-papo no Catete sobre RPG e anime. Bons tempos do IRC.
Naquele dia convidei a minha irmã. Que comédia ver os molecotes, cara.
Mas enfim, estávamos lá no ponto de ônibus, sei lá indo pra onde, falando sobre música, G. estava na época do Garage, papo vai e vem e o sujeito solta Ah, eu gosto de uma monte de coisa, tipo, The Wonders. Ali estava eu, com a minha picanha bem temperada, que delícia! The Wonders não existe, garoto, só tem no filme. Deu pena de ver a expressão dele, mas eu fui solidário. Só não podia deixar passar em branco.
Sei como é querer ser importante. Significativo. Vivemos vidas de merda, constantemente desconsiderados por professores, patrões e até pais. Foda-se, por todos os lados. O sujeito fica perdido já que entre todas as coisas importantes que todo mundo quis ensinar pra ele não sobrou espaço pra aprender sobre o que afinal o deixa numa boa. Daí, você inventa uma merda qualquer. Provavelmente imita qualquer pompa que viu outra pessoa sustentar.
Argh!
Tipo o pessoal esquisotérico. Ali o pandemônio é completo. Qualquer porcaria que dê, com uma aritmética alucinada, digamos, 666, e pronto, tu é O Cara. Grandes merda.
Daí eu vou e bebo. Até ficar bem zonzo e não sobrar mais nada. Tentando encontrar alguma integridade. É uma busca besta mas eu não consigo parar. Estou diminuindo só porque de vez em quando dá vontade de me comunicar. E tal.
Falei com G. outro dia, Porra, a gente precisa conhecer gente com conteúdo, Cara, a impressão que me dá é que está todo mundo morgando, ninguém está mais a fim nem do conteúdo que tem.
Aí eu penso sobre isso e me lembro denovo do tempero, eu aqui, todo importante, escrevendo em uma livraria com um volume do Bukowski em cima da mesa. Por acaso faço idéia sobre o que eu estou escrevendo? Eu não. Mas olha pra esse pessoal dos blogs por aí, escrever é coisa de gente legal.
Boa, P. Muito boa. Você é o cara.
[How are you gentleman.]

1 Comentários:
:~
Muthafucker.
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