Sem um sistema operacional livre, de código aberto, é impossível para uma nova fabricante ser bem sucedida no mercado com uma nova arquitetura de processadores por seus próprios méritos tecnológicos.
Imagine que no mercado existem os sistemas operacionais Microsoft Windows, Apple Macintosh OS, e, digamos, Sun Solaris. Esses produtos desenvolvidos pelas empresas indicadas são o que chamamos
software proprietário:
software cujo código fonte é mantido como propriedade intelectual, de modo que essas empresas possam fazer dinheiro comerciando licensas de uso.
Mas esse código fonte, quando compilado, quando se torna efetivamente executável, está ligado intimamente ao tipo de processador no qual ele vai executar. Hoje, usamos basicamente dois tipos de processador: o tipo Intel (chamado x86), e o tipo Apple (chamado PowerPC).
O que acontece se a Mindfuck Org. desenvolve uma arquitetura revolucionária de processadores? Um consumidor não compra processadores porque eles são revolucinários, os compra porque vai rodar legal o seu
software. E esse consumidor não vai rodar nenhum dos seus
software se o seu sistema operacional favorito não funciona naquela plataforma.
Efetivamente, a Mindfuck Org. não tem como comercializar seu produto sem a interferência da Microsoft, da Apple, e da Sun. Não é preciso imaginar um cenário onde essas empresas conspiram contra nossa malfadada
startup: é preciso simplesmente que nem tomem conhecimento de suas necessidades.
A Mindfuck Org. poderia ter uma equipe genial e disposta a transportar esses três sistemas gratuitamente para o seu novo processador, mas isso seria impossível, já que esses sistemas são proprietários, e produzem dinheiro justamente porque ninguém tem acesso livre a eles.
Esse é um mundo cruel, onde nova tecnologia, por mais maravilhosa, só seria possível com muita política.
Mas nós temos o Linux. (E os BSD. Caralho, tem até o Hurd!)
O Linux é livre. É código aberto.
Ele é propriedade intelectual de uma horda de programadores mundo afora, sob a propriedade-mor do seu criador e mentor, Linus Torvalds; e todas essas pessoas oferecem ao mundo acesso livre sob a licensa conhecida como GPL.
Isso significa que a Mindfuck Org. não precisa aborrecer ninguém. Ela só precisa baixar o cliente do Bitkeeper, o
software usado para gerenciar aquele código fonte, e clonar a árvore estável do Linux; os programadores da Mindfuck Org. têm liberdade total de alterar ali o que for necessário para o Linux funcionar nesse novo processador; e a comunidade do Linux está protegida de abuso, porque a GPL obriga a Mindfuck Org. a, se ela decidir oferecer o Linux modificado executável, também oferecer o Linux modificado em código, para que todos possam então construir a partir dali, como bem entenderem.
O mesmo vale para as ferramentas do sistema GNU; para o compilador GCC; para o servidore de janelas x.org; para o ambiente de
desktop GNOME. Nessa discussão, é irrelevante se o sistema operacional livre é melhor ou pior: para a Mindfuck Org., o fato de que é possível que haja um sistema operacional para que seu produto seja útil é a diferença entre a possibilidade de competir, e a escravidão total ao fabricante de sistemas proprietários.
Software livre não é uma palhaçada de nerds hippies idealistas.