Essa era a questão de Tima, em Metropolis.
Sincronia ou não, ando lendo por aí na Web muitos trechos de auto-questionamento, coisa típica. O que me intriga é a forma que esse auto-questionamento toma. Que tipo de questões se pode, efetivamente, colocar a si mesmo? Uma pergunta como "quem sou eu" não espera resposta, mas é feita denovo e denovo.
Estou ouvindo agora a trilha Illusion, da OST de Akira. Interessante, ou não?
Há uma pergunta que eu não vejo feita com frequência. É muito interessante perguntar "quem sou", sim, mas, justamente, porque essa pergunta é feita com tanta frequência? Por que não acontece simplesmente de se viver e pronto? Certamente não se observa todas as pessoas que existem perguntando isso, em particular aquelas que sofrem a realidade do corpo tão intensa que não têm tempo ou energia para uma coisa dessas (a saber, quem passa sede e fome). Nem mesmo as bem nutridas com tempo disponível se observa questionando isso. Naturalmente não se pode esperar saber tudo que se passa dentro de desconhecidos.
De qualquer modo, o fato de que a questão é feita por si só é intrigante. Afinal de contas, é uma pergunta retórica, que não espera resposta. Qual é o significado dessa dúvida?
Quando eu pergunto "quem é você", o que eu espero como resposta? Alguma identificação que me diga, esse você que está aí é aquele tal de quem eu me lembro? Talvez seja mais que isso, mas se é assim, ao menos em parte, então quando pergunto "quem sou eu", estou tentando reconhecer o eu do momento com algum eu anterior de que me lembro? Se isso é assim, como pode ser possível que haja a dúvida logo a princípio? É concebível que eu não seja eu?
A pergunta irmã, "o que eu quero", considero mais interessante, mas é igualmente sem resposta.
Uma tentativa de resposta circular:
Eu sou aquilo que faz o que eu faço.
Eu quero fazer aquilo que eu sou.
Esotericamente elegante, não? Mas não está bom, não mesmo. Posso escrever muitas variantes dessa parada. Essa forma de resposta, assim, mais ou menos, vem do personagem do Jude Law no filme A.I.; em um momento do filme o garotinho pergunta intrigado porque ele agia de uma certa maneira, e ele responde "Eu faço o que faço porque sou quem sou."
Pois é.